Este procedimento é realizado com a paciente em posição de litotomia e pode ser feito com anestesia local. Para tanto recomenda-se a sedação prévia com Midazolan intravenoso, na dose de 1 mg, podendo ser utilizado até 5 mg. No início do procedimento, utiliza-se de 0,05 mg de fentanil intravenoso, sendo esta mesma dose repetida antes da passagem das agulhas para a colocação do “sling”.Nossa preferência é usar 20 ml de marcaína a 1% com adrenalina, diluída em 40 ml de soro fisiológico, resultando num volume de 60 ml para injeção. Inicialmente injetam-se 5 ml de anestésico na pele e subcutâneo a cada lado, junto à borda superior do pubis. A seguir com uma agulha de raquianestesia 22G introduzida rente ao pubis no espaço de Retzius, injetando-se 15 ml da solução. Realizam-se duas pequenas incisões transversas de 1 cm, junto à borda superior do púbis a cada lado. A anestesia vaginal é feita injetando-se 20 ml da solução anestésica na parede vaginal sub e parauretral a 1 cm do meato uretral, bem como nos pilares vaginais. Realiza-se então uma incisão vaginal mediana de aproximadamente 1,5 cm, iniciando a 1 cm do meato uretral em direção proximal, porém evitando que esta incisão atinja o colo vesical. A seguir, com o auxílio de uma tesoura de Matznbaum, disseca-se de maneira romba lateralmente de ambos os lados abaixo da parede vaginal, criando-se um túnel de 1 cm, o suficiente para introduzir a ponta da agulha do TVT cujo conjunto é formado por uma fita de prolene envolta em uma bainha de plástico, apresentando uma agulha curva em cada extremidade, uma manopla metálica para orientar a introdução da agulha e um mandril metálico reto para introdução do cateter dr Foley 18 ou 20 F (fig. 1). Isto feito introduz-se por via uretral um cateter Foley 20F, esvazia-se a bexiga, e na seqüência introduz-se um mandril metálico reto por dentro do Foley. Este tempo tem por objetivo não só facilitar a identificação da uretra, mas também afasta-la, juntamente com a bexiga no momento da introdução das agulhas. O “sling”, que possui uma agulha de 5 mm de diâmetro em cada extremidade é então preparado introduzindo uma destas agulhas na manopla metálica que a guiará no seu trajeto. Previamente à introdução da agulha, o cateter Foley com o mandril são lateralizados qual a agulha será introduzida, para afastar tanto a uretra quanto a bexiga do trajeto da agulha do TVT. A introdução da agulha é feita colocando a extremidade no túnel previamente dissecado, em direção ao ombro homolateral da paciente realizando-se dois movimentos. No primeiro a agulha é avançada horizontalmente até perfurar o diafragma urogenital, o que é facilmente percebido pelo cirurgião. O segundo movimento consiste em um movimento de báscula, que fará com que a extremidade da agulha avance pelo espaço de Retzius, raspando o periósteo do púbis até atingir a região supra púbica, perfurando o músculo reto abdominal e sua fáscia, sendo exteriorizado pela incisão previamente realizada. Retira-se o Foley e realiza-se cistoscopia para verificar se não houve perfuração vesical (fig. 2). Caso ocorra perfuração vesical, simplesmente retira-se a agulha e realiza-se uma nova introdução. Não havendo perfuração, retira-se a manopla e traciona-se a agulha, trazendo-a para a região supra púbica (fig. 3). Nesta fase, o “sling” esta recoberto por um envelope plástico que permite o seu deslizamento. As mesmas manobras são repetidas do outro lado, obtendo-se assim a forma de U, dos slings pubovaginais (fig. 4), desta feita no terço médio da uretra. As agulhas são removidas cortando-se as extremidades do sling e a seguir a tensão é ajustada antes de se remover os envelopes plásticos que são superpostos na região medial. Estes envelopes possuem duas funções, evitar a contaminação do “sling” durante a sua introdução e permitir o seu deslizamento sem trauma tecidual. A seguir com cerca de 300 ml de soro fisiológico na bexiga, a paciente é orientada a tossir vigorosamente, e caso haja perda urinária, as extremidades do sling são levemente tracionadas, até que se obtenha a continência. Durante esta manobra, deve-se manter a extremidade da tesoura entre a uretra e o sling, para evitar tensão a este nível. Notem que o sling foi colocado ao nível do terço médio da uretra, onde os ligamentos pubouretrais fazem suas insersões funcionais e não ao nível do colo vesical. Isto feito e mantendo-se a tesoura entre a uretra e o “sling”, retiram-se ambos os envelopes plásticos, o que fará com que o mesmo fique aderido aos tecidos, por fricção. As extremidades do TVT são cortadas rente a pele e a seguir as incisões supra púbicas e vaginal são fechadas de maneira convencional. A bexiga é esvaziada não sendo necessário sonda de demora, a menos que tenha havido perfuração vesical, quando então recomenda-se drenagem vesical por 24 horas. Após a recuperação anestésica, micção espontânea e avaliação do resíduo pós-miccional, que em geral é inferior a 50 ml, a paciente recebe alta hospitalar. Recomenda-se antibioticoterapia profilática por 3 dias.