O principal sintoma referido pelas pacientes com fístulas vesicovaginais é a perda urinária contínua sem micções normais. Apesar disto, se o tamanho da fístula for pequeno poderá ocorrer perda urinária leve associada a micções intermitentes.
Em geral, as fístulas vesicovaginais surgem precocemente, mas podem apresentar-se tardiamente quando decorrentes de traumas obstétricos ou radioterapia, surgindo até mesmo vários anos após o fator provocativo.
O diagnóstico de FVV pode ser firmado apenas com o exame físico e a inspeção da parede vaginal anterior nos casos de fístulas de grandes dimensões. Entretanto, na maioria dos casos não é possível a identificação da fístula de imediato e são necessários testes adicionais. Quando há dúvidas quanto à identificação do líquido que flui pela vagina da paciente como sendo urina, pode ser realizada a simples coleta do material, caso haja volume suficiente, e avaliação dos níveis de creatinina e eletrólitos em relação à concentração sérica. Caso o líquido seja urina a dosagem de creatinina e eletrólitos tende a estar elevada em relação à do sangue e caso sejam outros fluidos (linfa, infecção, etc.) estas dosagens se mostraram igual ou menor.
O "teste com azul de metileno" é útil e, desde que adequadamente realizado, confirma a origem vesical da urina que drena pela vagina (Fig. 1). Esse teste deve ser realizado após a anamnese e exame físico completos, incluindo-se a vaginoscopia (Fig.2). A forma correta de realizá-lo consiste na infusão intravesical do corante estéril, diluído em solução salina, através de uma sonda de foley e observação se há perdas vaginais. Caso não haja, deve-se colocar um tampão vaginal e solicitar à paciente que deambule por alguns minutos. Posteriormente, o tampão vaginal é reavaliado para identificação do extravasamento ou não do corante para a vagina. Nos casos em que não houve a constatação da fístula vesicovaginal, e a paciente queixa-se de perdas vaginais, é imperiosa a investigação de outras fístulas urinárias. (Ex: fístulas ureterovaginais).
Confirmado o diagnóstico de fístula vesicovaginal deve-se realizar uma cistoscopia para se avaliar o tamanho, a localização da fístula em relação aos ureteres, a capacidade vesical e a presença de corpos estranhos, aspectos estes que serão importantes para a definição da conduta e estratégia terapêutica.
A realização de uma uretrocistografia miccional é aconselhável para o diagnóstico de refluxo vesicoureteral, eventualmente associado à fístula e que necessitará de tratamento simultâneo, além da documentação radiológica da lesão e da capacidade vesical da paciente 3 (Fig. 3).
Em todos os casos de FVV deve-se avaliar o trato urinário superior por meio de uma urografia excretora, ou se necessário, através de uma pielografia ascendente, para identificar possíveis obstruções ou fístulas ureterovaginais que podem estar associadas em 10 a 15% dos casos de fístulas vesicovaginais.4
Thomas e Williams7 demonstraram a importância da realização de um exame urodinâmico pré-operatório com a finalidade de documentar a existência de instabilidade detrusora e/ou disfunção esfincteriana intrínseca. Tal exame é de grande importância para a correção de distúrbios associados, como a incontinência urinária de esforço; entretanto, tem grandes restrições em fístulas de alto débito.
Alguns estudos tentaram demonstrar a eficiência do ultra-som no diagnóstico das fístulas vesicovaginais, porém nenhum destes foi capaz de demonstrar sua superioridade em relação aos testes diagnósticos habituais. 8, 9
Os principais diagnósticos diferenciais de FVV são: corrimentos vaginais abundantes, drenagem de linfa e/ou sangue pela vagina no pós-operatório10 e outras fístulas urinárias, tais como: fístulas ureterovaginais, uretrovaginais e vesicocutâneas.