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A incontinência urinária de esforço (IUE) apresenta dificuldades não só quanto ao diagnóstico correto como também quanto à terapêutica. De fato, mesmo com as novas modalidades propedêuticas e diferentes técnicas para o tratamento cirúrgico, os índices de insucesso situam-se ao redor de 15 a 20% nos cinco anos subseqüentes à cirurgia, independente do tipo de procedimento e da habilidade do cirurgião 1.
A musculatura estriada do assoalho pélvico assume papel relevante no mecanismo da continência urinária pois, é fundamental na manutenção do suporte anatômico e da pressão intra- uretral .
As fibras desta musculatura são do tipo I e II. As do tipo I caracterizam-se por contrairem-se lentamente e por longos períodos sem sofrer fadiga, sendo responsáveis pela manutenção do tônus muscular
2. As fibras do tipo II são mais fatigáveis, apresentam grande quantidade de enzimas glicolíticas, pequena concentração de mitocôndrias que lhes concede baixo potencial aeróbico. São fibras que se contraem rapidamente em resposta ao aumento súbito da pressão intra-abdominal. As fibras do tipo I predominam sobre as do tipo II 2,3.
O efeito traumático do parto transpélvico ou a atrofia tecidual que ocorre no climatério resultam em disfunção da musculatura do assoalho pélvico que habitualmente não é valorizada no exame ginecológico, apesar de ser um dos principais fatores etiopatogênicos da IUE e/ ou prolapso genital e responsável pelas altas taxas de recidiva pós cirurgia.
Por isso, diversas técnicas que objetivam o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico tem sido desenvolvidas. Esta modalidade terapêutica tem sido reservada para formas leves e moderadas de IUE, além de poder ser utilizada como método preventivo ou adjuvante à cirurgia
4.
A primeira técnica foi descrita por Kegel
4 que preconizava contrações voluntárias rápidas dos músculos do assoalho pélvico. Entretanto, embora orientadas quanto a anatomia e função destes músculos, 30% das pacientes não conseguem distinguir corretamente os músculos do assoalho pélvico das contrações de outros músculos como reto abdominal, glúteos máximo e adutores da coxa 5.
O uso de cones vaginais para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico foi inicialmente proposto por PLEVNIK
6. O autor observou que as pacientes contraem adequadamente este grupo muscular para que possam reter o cone, tornando esta terapêutica mais objetiva e eficaz.
Assim, as altas taxas de recidiva pós cirurgia e a relação da IUE com a disfunção da musculatura do assoalho pélvico nos motivou a realizar este estudo.