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A multiplicidade de fatores envolvidos no diagnóstico e tratamento da incontinência urinária na mulher, conhecidos há várias décadas, têm sido, ao longo dos últimos anos, alvo de extensos estudos, cujos resultados refletem-se no atendimento mais adequado à mulher incontinente e em melhores resultados terapêuticos.
Existe uma correlação positiva entre o índice de massa corporal ( IMC) e a prevalência de incontinência urinária 9, 10
Nossos achados confirmam as afirmações citadas anteriormente onde, o índice de massa corporal foi significativamente maior no grupo de mulheres incontinentes comparados com as mulheres continentes.
As informações obtidas pela história clínica apresentaram um valor preditivo positivo de aproximadamente 70% para a incontinência urinária de estresse não sendo possível esta avaliação nas pacientes portadoras de incontinência urinária de urgência, reforçando, nestes casos, a necessidade da realização de exames complementares 11,12. A história, portanto, não é confiável para chegar a um diagnóstico preciso. Isto se deve principalmente ao fato de que os sintomas do trato urinário usualmente sobrepõem-se e são inespecíficos. Com relação às informações obtidas pela história clínica podemos, segundo os nossos achados levantar alguns pontos significativos neste tipo de avaliação. Quando analisamos o número de micções diárias no grupo de mulheres incontinentes comparado ao do grupo continente observamos um maior número de micções no grupo incontinente. Porém, quando comparados nos subgrupos de mulheres incontinentes não encontramos diferenças estatísticas significativas demonstrando que o número de micções não pode ser utilizado para se diferir aquelas mulheres com incontinência urinária de estresse das mulheres com urgência.
Apesar da diferença observada no número de micções no grupo incontinente e continente, quando analisamos a quantidade de líquidos ingeridos por dia não houve variação entre as mulheres incontinentes e normais , só existiram diferenças estatísticas significativas entre as pacientes incontinentes, onde as que sofrem de incontinência por urgência têm uma menor ingesta líquida do que aquelas com incontinência de estresse, provavelmente para evitar um maior número de episódio de perdas.
Quando correlacionamos a presença de noctúria entre as mulheres estudadas, notamos que as mulheres incontinentes apresentam um maior número de micções noturnas do que as continentes .
A presença de prolapsos vaginais e infecções do trato urinário e cirurgias ginecológicas prévias, foram descritos por vários autores3,13 como fatores predisponentes de incontinência urinária, o que foi confirmado neste estudo onde 52,9% das mulheres incontinentes apresentaram prolapso genital e em 64,7% destas mulheres foram contatadas infecções urinárias prévias, e 72,5% realizaram cirurgias ginecológicas prévias, sendo que nas mulheres continentes os valores foram respectivamente 6% e 32%, sendo que nenhuma delas havia se submetido a qualquer cirurgia ginecológica prévia, havendo diferença estatística significativa.
Avaliamos com o teste da interrupção da micção a capacidade de contração e força da musculatura do assoalho pélvico em interromper o fluxo urinário e notamos que somente 25,5% das pacientes incontinentes possuíam capacidade de interrupção do fluxo urinário e, dentre estas, 22,7% daquelas que sofriam de incontinência por estresse conseguiam interromper totalmente e somente 3,4% das que sofriam de incontinência por urgência o faziam . Dentre as mulheres normais 80% foram capazes de interromper totalmente o fluxo urinário mostrando uma diferença estatística significativa na capacidade muscular destas mulheres.
Observamos, comparando os resultados da avaliação subjetiva ( questionário ) e objetiva ( teste do absorvente), que existe uma concordância entre as duas modalidades de avaliação em 56,86% dos casos e que em 41,18% os dados foram superestimados pela avaliação subjetiva e que somente em 1,96% dos casos os dados da avaliação objetiva foram superestimados. Estes demonstram claramente que a percepção individual de perda urinária pode, em algumas situações, ser maior do que a perda urinária realmente demonstrável.
A reprodutibilidade do teste do absorvente em nosso estudo foi boa e está de acordo com os achados de outros autores 7,14. No entanto, foi observado uma variação significativa do resultado deste teste em um mesmo indivíduo quando repetido várias vezes 15. Apesar da confiabilidade deste teste ser controversa, observamos que pode fornecer informações importantes no diagnóstico e na avaliação da incontinência urinária, assim como antes ou após tratamento, seja êle clínico e/ou cirúrgico.