JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Fórum de Discussão
 
 
O Jornal da Incontinência Urinária Feminina abriu este espaço para que você tire suas dúvidas e troque idéias sobre tópicos polêmicos da Incontinência Urinária Feminina.
Neste número teremos o Prof. Cássio Riccetto, Professor Associado da Disciplina de Urologia - Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, que de forma prática abordará:

"Tela sintética é necessária para correção de todos os casos de prolapso de parede anterior da vagina ?"
 
A alta taxa de falha do reparo fascial dos defeitos do assoalho pélvico feminino pode ser explicada pela pobre qualidade da fascia pubocervical e do septo retovaginal, mas também pela dificuldade de reconstrução anatômica das lesões pelas técnicas clássicas, tais como a colporrafia descrita por Kelly e a miorrafia dos elevadores do ânus.
Seguindo a tendência bem sucedida do emprego de materiais sintéticos nas herniorrafias da parede abdominal, recentemente Tem se verificado o surgimento de próteses variadas para o tratamento dos prolapsos urogenitais.  Entretanto, essa transposição simples implica em vários problemas potenciais: (a) a vagina dotada de elasticidade indispensável à sua função, seja durante o intercurso sexual ou durante o trabalho de parto, que não representa uma preocupação habitual nas herniorrafias abdominais; (b) a carga pressórica aplicada pelas vísceras pélvicas sobre a vagina é, geralmente, significativamente inferior àquela que deverá ser suportada pela tela abdominal e (c) o ambiente vaginal pode, frequentemente, ser colonizado pela flora entérica, potencialmente patogênica. Assim, consideramos que não é possível transpor a elevada expectativa de eficácia global das telas verificada nas herniorrfias para as colporrafias.
De outro lado, é inequívoco que o emprego de telas permite a padronização dos procedimentos e, assim, pode contribuir, significativamente, para a rápida disseminação do aprendizado acerca do tratamento dos prolapsos. Além disso, constitui armamentário poderoso em situações limítrofes, tais como os prolapsos de estágio acentuado e recidivados, sobretudo quando houver defeitos do anel pericervical (ou da cúpula vaginal), que representam verdadeiros .desafios para o cirurgião.
Como então dirimir as dúvidas sobre o emprego das telas face a todos estes questionamentos, aos quais se sobrejuntam a inexistência de modelos experimentais do emprego de telas facilmente reprodutíveis ?
Consideramos que, no presente momento do conhecimento, as telas deverão ser empregadas de forma criteriosa nos prolapsos recidivados e de estágio avançado, nas pacientes sem forte expectativa de atividade sexual futura e após cuidadosa orientação. Muitas vezes, a decisão sobre o emprego será intra-operatória, após o cirurgião dissecar as estruturas e verificar se a correção sitio-específica dos defeitos poderá ou não ser realizada.
Paralelamente, caberá aos centros de pesquisa evoluir na pesquisa clínica e experimental do emprego das telas, através de protocolos prospectivos e randomizados, a fim de que seja possível oferecer, no futuro próximo, a melhor evidência possível para a decisão clínica e benefício das pacientes
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