JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Seção Poster
 
 

Existe correlação entre força muscular do assoalho pélvico
e disfunção sexual na mulher?

Gameiro MO*; Miraglia LS*; Muchailh RC*; Souza VO*;
Baldacin DC**; Amaro JL***
Faculdade de Medicina de Botucatu – FMB / UNESP
* Fisioterapeuta  ** Graduanda em Medicina  *** Urologista

RESUMO

INTRODUÇÃO: A padronização da força muscular do assoalho pélvico (AP) em nulíparas como fator preditivo de disfunções urinárias e sexuais é de extrema relevância. Essa correlação não está bem estabelecida1.
A hipotonia dos músculos do AP pode ser fator significativo para desordens sexuais na mulher2.

OBJETIVO: Correlacionar a força muscular subjetiva e objetiva do AP com presença de orgasmo.

PACIENTES E MÉTODOS: Foram estudadas 50 nulíparas saudáveis com média de idade de 23 anos, avaliados dados pessoais, história clínica e possíveis alterações da atividade sexual como dor durante o ato sexual e o grau de satisfação. Feita palpação vaginal do AP (figura1), classificada segundo Amaro3 (Tabela 1) e perineometria com sonda vaginal inflável do AP (figura 2) solicitando 3 contrações sustentadas por quanto tempo fosse possível em 4 diferentes posições: decúbito dorsal com membros inferiores estendidos (P1) e fletidos (P2), sentada (P3) e em pé (P4) (figura 3).

 

Parâmetros avaliados

Incidência

Atividade física regular (3x/sem)

58%

Obstipação intestinal

54%

Atividade sexual

84%

Orgasmo presente

82%

 
RESULTADOS: Não houve correlação da palpação vaginal com a presença de orgasmo em 76% das mulheres estudadas (p<0,05). Não houve correlação da perineometria medida em 4 diferentes posições com a presença ou ausência de orgasmo (p>0,05) (tabela 2).

CONCLUSÃO:
Não observamos correlação entre a força muscular subjetiva e objetiva do assoalho pélvico e orgasmo.
 
 
 
 

REFERÊNCIAS

  1. Rosenbaum TY. Pelvic floor involvement in male and female sexual disfuction and role of pelvic floor reabilitation in treatment: a literature review. J Sex Med.2007;4 (1): 4-13.
  2. Beji NK, Yalcin O, Erkan HA. The effect of pelvic floor training on sexual function of treated patients. Int Urogynecol J. 2003; 14: 234-38.
  3. Amaro JL, Gameiro MOO, Padovani CR. Treatment of urinary stress incontinence (SUI) by intravaginal electrical stimulation (IES) and pelvic floor physiotherapy.         Int. Urogynecol. J., v. 14, p.204-8, 2003.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figuras

Figura 1.
Palpação vaginal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Figura 2.
Perineometro Dynamed
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a

Figura 3.
Diferentes posições do corpo P1, P2, P3 e P4.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabelas

Tabela 1. Classificação da palpação vaginal descrita por Amaro e colaboradores em 2003.

Grau

Palpação Digital

0

Ausência de Contração muscular

1

Contração leve

2

Contração moderada - não sustentada por mais de 6 segundos

3

Contração normal – sustentada por mais de 6 segundos

Amaro, 2003

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tabela 2. Correlação da perineometria com o orgasmo.

Orgasmo   

Presente 
Ausente

P1

19,06

14,81

P2

17,33

17,57

P3

25,09

15,87

P4

33,87

35,37