JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Técnicas Cirúrgicas
 


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Tempo: 6min53seg
 


Tratamento Laparoscópico da Fístula Vesicovaginal
Amaro, J. L., Fugita, P. E. H., Kawano, P. R., Yamamoto, H, A.
Universidade Estadual Paulista - UNESP
Departamento de Urologia


A principal etiologia da fístula de vesicovaginal (FVV) em países desenvolvidos é o trauma cirúrgico associado aos procedimentos ginecológicos.  A histerectomia abdominal tem se mostrado como a causa mais comum, com o desenvolvimento de FVV em aproximadamente 0.5% das histerectomias. Nezhat1 foi o primeiro autor a descrever o acesso laparoscópico para o seu tratamento em 1994. Desde então, várias modificações foram descritas.

Neste vídeo, apresentamos nossa técnica para correção vídeolaparoscópica da FVV em uma mulher submetida a duas tentativas de correção por via aberta abdominal, sem sucesso.  
Inicialmente, procedemos a cateterização ureteral retrógrada bilateral com cateteres 6F tipo “open tip”, seguido da cateterização do orifício fistuloso com um fio guia, que permitiu a passagem de uma sonda de Foley 10 F pela FVV. Esta manobra foi realizada com objetivo de auxiliar a identificação do trajeto fistuloso durante o procedimento vídeolaparoscópico. Após confecção do acesso laparoscópico e incisão anterior da bexiga; a FVV foi dissecada ao redor da sonda de Foley até que um plano satisfatório fosse criado entre a parede posterior da bexiga e a parede vaginal anterior. Foram aplicadas suturas contínuas com fio de poliglactina 4.0 em ambas as paredes, tomando-se o cuidado para evitar sobreposição das linhas de sutura. A bexiga foi então preenchida com cerca de 300 ml de solução salina para confirmar a impermeabilidade das suturas. Em seguida, a gordura peri-retal foi utilizada para interposição entre os planos vesical e vaginal. A bexiga permaneceu drenada com auxílio de um cateter de Foley 20 F durante 4 semanas.  Após 6 meses de segmento, não foi observada recidiva da fístula. 

O acesso laparoscópico tem a vantagem de proporcionar uma melhor visualização e magnificação dos órgãos pélvicos, permitindo a adequada manipulação e dissecção dessas estruturas. Em nossa opinião, o tratamento vídeolaparoscópico da FVV é factível  e proporciona resultados satisfatórios até mesmo em paciente já submetidos a procedimentos cirúrgicos prévios.
 
Referências
 
  1. Nezhat CH, Nezhat F, Nezhat C, Rottenberg H. Laparoscopic repair of a vesicovaginal fistula: a case report.  Obstet Gynecol. 1994 May;83(5 Pt 2):899-901.