JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Resumos Comentados
 
 

TVT-O vs TVT: a randomized trial in patients with different degrees of urinary stress incontinence

Araco F, Gravante G, Sorge R, Overton J,
De Vita D, Sesti F, Piccione E.
Int Urogynecol J Pelvic Floor Dysfunct. 2008 Jan 24

 

TVT-O and TVT were compared in patients stratified according the severity of Stress Urinary Incontinence (SUI). Those patients with intrinsic sphincter deficiencies, overactive bladders, associated prolapses, neurovegetative disorders and recurrent SUI or under rehabilitative/medical therapies were all excluded. There were 208 women included. Operating times were longer, and postoperative pain greater for TVT (p < 0.001). TVT produced longer hospitalizations in severe SUI patients (p < 0.001). After 1 year of follow-up, incontinence was cured in all mild SUI patients with both techniques, in all severe SUI patients when treated with TVT and in 66% of them when treated with TVT-O (p < 0.001). Vaginal perforations occurred during the TVT-O (p = 0.01), bladder perforations during TVT (p = NS), bladder obstructions in mild SUI patients after TVT (p < 0.001). The severity of SUI is an important parameter that influences results after TVT-O and TVT, and could be used to guide surgeons in selecting the most effective intervention.

 

Comentário Editorial

 

Procedimentos de alta eficiência e baixa morbidade, os slings suburetrais de material sintético ganharam ampla aceitação entre os urologistas e ginecologistas como método de tratamento da IUE. Minimamente invasivos, substituíram os slings autólogos com várias vantagens. Mais recentemente o desenvolvimento da via transobturatória permitiu diminuir algumas das complicações associadas à técnica retropúbica (obstrução uretral, sangramento e hematomas pélvicos, dor e perfurações vesicais). A obstrução infra-vesical observada com maior freqüência na via retropúbica está relacionada à maior compressão determinada pela fita que “envolve” a uretra. Na via transobturarória a fita de prolene é colocada de via mais anatômica e apenas “suporta” a uretra média. Contudo, para os casos de IU grave em que é necessária maior compressão uretral para impedir a perda urinária, a via transobturatória deixaria de ser, em tese, vantagem para se converter em maior chance de insucesso cirúrgico. Apesar das premissas teóricas não há bases concretas para escolher uma técnica ou outra com base em trabalhos bem conduzidos. Recentemente foi publicada metanálise1, em que não houve diferença em relação aos resultados na comparação entre os dois métodos de abordagem. O trabalho de Araco e colaboradores tenta lançar luz nesta dúvida, porém deve-se levar em consideração a dificuldade em selecionar as pacientes e dividi-las fidedignamente em grupos de IU “grave” e “leve” com base em questionário e pela classificação de McGuire. O subgrupo de pacientes realmente portadoras de IU severa (Tipo III) não participou do estudo. A despeito destas considerações os autores encontraram diferença significativa dos resultados com um ano de seguimento para pacientes com incontinência de maior grau (TVT = 100% de cura; e TOT = 66% de cura). A despeito deste achado e das bases teóricas persiste a dúvida em relação à superioridade do TVT no tratamento de casos severos de IU.

1. Sung VW, Schleinitz MD, Rardin CR, Ward RM, Myers DL. Comparison of retropubic vs transobturator approach to midurethral slings: a systematic review and meta-analysis.Am J Obstet Gynecol. 2007 Jul;197(1):3-11.

 

Aparecido Donizeti Agostinho