JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Resumos Comentados
 
 

The short-term effect of surgical treatment for stress urinary incontinence using sub urethral support techniques on sexual function.

Pinto AC, Baracat F, Montellato ND,
Mitre AI, Lucon AM, Srougi M.
Int Braz J Urol. 2007 Nov-Dec;33(6):822-8.

 

OBJECTIVES: To evaluate the impact of surgical treatment of stress urinary incontinence on the sexual function of women and to identify whether such treatment can improve their sexual function and overall quality of life.
MATERIALS AND METHODS: 64 heterosexual women with such indication were studied using the Female Sexual Function Index (FSFI) questionnaire, modified by introducing one question to evaluate the impact of urine loss. This was applied preoperatively and six months after surgery.
RESULT: Among these 64 patients, 60.94% had regular sexual activity, while 39.06% did not. Among sexually active patients, 59% had urine loss during sexual intercourse and, of these, 87% had urine losses in half or more of sexual relations. There were no statistically significant differences in assessments of desire, arousal, lubrication, orgasm, satisfaction and pain, or in totaling the scores, between the preoperative period and six months after surgical treatment. However, the scores for urine losses during sexual intercourse were significantly better after the operation.
CONCLUSIONS: Analysis of the results allowed the following conclusions to be reached: Urine lost during sexual activity was frequent among patients with stress urinary incontinence. Suburethral support surgery did not jeopardize sexual activity. Patients cured of stress urinary incontinence did not present improvement in sexual function

 

Comentário Editorial

 

Estudos sobre a sexualidade feminina ainda são escassos na literatura médica. Pela prevalência elevada da IU e o constrangimento natural envolvido na perda é pertinente imaginar que a correção do problema tivesse impacto significativo na vida sexual da paciente. Realmente é muito freqüente a queixa de perda urinária durante a atividade sexual e que pode estar relacionada ao orgasmo (em geral por contração não inibida do detrusor) ou, mais freqüentemente, ao esforço durante o intercurso. Pode ainda ocorrer apenas em determinadas posições sexuais e ser afetada pela presença de cistocele. Particularmente em mulheres jovens, é razão de embotamento afetivo, diminuição do desejo e da freqüência sexual e de problemas de relacionamento conjugal. Portanto seria de esperar melhora da qualidade da vida sexual após a cirurgia em relação a este quesito. Por outro lado, incisões vaginais e a colocação de material sintético ou biológico na região da parede vaginal anterior poderiam levar a disfunções sexuais com dor e diminuição da sensibilidade local, levando-se em consideração a grande quantidade de terminações nervosas nesta porção anatômica. Alguns autores observaram melhora de alguns parâmetros relacionados à vida sexual1. Por outro lado, outros autores2, em concordância com o estudo de Pinto e colaboradores não demonstraram os benefícios ou os malefícios teóricos desta intervenção sobre a vida sexual de portadoras de perdas urinárias durante a atividade sexual. Estudos adicionais, com casuística maior e estratificação das pacientes por idade, intensidade e freqüência da perda urinária poderão auxiliar na avaliação do real impacto da IU e da cirurgia sobre a função sexual feminina.

 
 

Aparecido Donizeti Agostinho