JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA


Resumos Comentados
 
 

Nossa experiência com mini-slings (TVT Secur e MiniArc)
na cirurgia de incontinência urinária de esforço .
Actas Urológicas Españolas; 32(10):1013-1018, 2008.

Jiménez Calvo J, Hualde Alfaro A, Raigoso Ortega O, Cebrian Lostal JL, Alvarez Bandres S,
Jiménez Parra J, Montesino Semper M, Santiago Gonzalez de Garibay A.
Serviço de Urologia. Hospital Virgen do Camino. Pamplona. Navarra.
 

Objetivos: O objetivo desta publicação é descrever a técnica cirúrgica, avaliar as complicações e os resultados em curto prazo dos slings TVT secur e MiniArc.

Material e Método: Entre outubro de 2006 e Agosto de 2007 foi realizada correção cirúrgica com TVT secur TM, Women’s Health & Urology, Ethicon, Johnson & Johnson, colocando o sling em forma de rede em 51 pacientes, 38 delas com incontinência de esforço pura e 13 com incontinência mista e com idade média de 57 anos. Entre Setembro de 2007 e Fevereiro de 2008 foi realizada intervenção com o sistema de sling AMS MiniarcTM, colocado em rede, em 41 pacientes, 33 pacientes com incontinência de esforço pura e 8 com incontinência mista, com idade média de 58 anos. Todos os procedimentos se realizaram com sedação e analgesia e em regime de Cirurgia Maior Ambulatorial. As pacientes foram controladas em consultas externas em um mês, 3 meses e um ano. Foi realizada história clínica e o questionário ICIQ- SF em que acrescentamos uma pergunta para quantificar o grau de satisfação, assim como exame físico. Comparamos os resultados de ambas as técnicas e realizamos estudo estatístico com o test de Student. [Análise com o programa de informática SPSS(V14.0)].

Resultados: A mediana de seguimento do grupo TVT secur foi de 328 dias (variação de 163 a 522 dias) e no grupo MiniArc de 101 dias (variação de 41 a 209 dias). Das 92 pacientes submetidas a intervenção, 51 com TVT secur e 41 com MiniArc registramos apenas uma complicação cirúrgica com TVT secur que foi uma perfuração vesical. Considerando como cura objetiva a paciente com exame físico realizado durante a consulta com a bexiga cheia e teste de esforço negativo. No grupo VT secur 80,4% das pacientes estavam curadas e no grupo do MiniArc 90,2% não existindo diferenças significativas entre ambos os grupos (p 0,0095). Para avaliar a cura subjetiva utilizamos o teste ICIQ-SF e a pergunta de satisfação e observamos como, no controle de um mês e do terceiro mês não existem diferenças significativas, estando 90% das pacientes satisfeitas. No controle anual, realizado apenas no grupo TVT secur, 80% das pacientes se encontram muito satisfeitas. Conclusão: Estes novos slings apresentam número menor de complicações e permitem a possibilidade de colocação com anestesia local porém são necessários estudos randomizados com seguimento maior.

Palavras-chave: Incontinência. TVT secur. MiniArc.

 

Comentário Editorial

 
O TVT foi lançado em 1996 com o foco voltado para o reforço da porção posterior da uretra média permitindo suporte firme na principal zona responsável pela continência urinária. A despeito do caráter “minimamente invasivo” e dos índices de sucesso bastante satisfatórios a morbidade revelou-se não desprezível, em especial, perfurações vesicais, obstrução infra-vesical e, raramente complicações vasculares ou lesões intestinais com descrição de alguns casos de óbito pós-operatório. Mais recentemente, em 2001 foi introduzido o acesso transobturatório, que teria por vantagens a menor possibilidade de lesão vesical, de alças intestinais e de grandes vasos, além da menor incidência de disfunção miccional. Embora estes procedimentos possam ser realizados ambulatorialmente com anestesia local e sedação, algumas destas possíveis complicações tornaram mais prudente a realização do procedimento sob anestesia raquidiana. Com a pretensão de diminuir a morbidade, mais recentemente foram lançados em 2006 (TVT secur) e 2007 (MiniArc) os minislings. O comprimento dos slings (em torno de 8 cm) e a forma de colocação permitem que o procedimento seja efetuado de maneira ambulatorial, diminuindo os gastos (internação e anestesia) e, em tese, a morbidade. Porém, existem apenas estudos com seguimento muito curto, em geral menor que um ano, e com resultados iniciais inferiores aos obtidos com os slings retropúbicos e transobturatórios clássicos. Se por um lado o comprimento menor e a maneira de colocar o sling diminuem a possibilidade de lesões das estruturas pélvicas esta vantagem poderá ser suplantada pela desvantagem de possível fixação suburetral inadequada da fita, deslocamento e perda da eficácia em longo prazo. Apenas estudos com seguimento longo, de pelo menos 5 anos, poderão responder esta questão e, até lá, é mais prudente considerar o TVT secur e o Mini Arc procedimentos “experimentais”.
 

Aparecido Donizeti Agostinho