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JORNAL
DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA FEMININA Resumos comentados |
RESUMO Objetivos:
Há uma falta de consenso em relação às
indicações e à eficácia de longa duração das inúmeras técnicas cirúrgicas para
tratar a incontinência urinária de esforço. Históricamente o "sling"
pubovaginal tem sido reservado para casos de Insuficiência Esfincteriana Intrínseca ou
falha cirúrgica prévia. A técnica da agulha transvaginal ou da suspensão retropúbica
tem sido usada principalmente em casos de incontiência esfincteriana não associada com
insuficiência esfincteriana intrínseca. Os autores relatam os resultados de longa
duração do "sling" pubovaginal para todos os tipos de incontinência urinária
de esforço.
COMENTÁRIO EDITORIAL Tradicionalmente as pacientes com os tipos 1 ou 2 de incontinência urinária de esforço (I.U.E. ) 1 ou hipermobilidade uretral são cirurgicamente tratadas por suspensão retropúbica, suspensão transvaginal ou reparação anterior. Enquanto no tipo 3 ou de Insuficiência esfincteriana Intrínseca1 ( I.E.I. ) são utilizadas as técnicas de "sling"ou as injeções peri-uretrais ou os esfincteres artificiais.Os autores deste artigo utilizam a técnica do "sling" pubovaginal construido com a fascia do músculo reto abdominal ( fita de 2x15 cm de extensão ) em cuja extremidade são fixados fios longos de material inabsorvível 2 zeros. A abordagem é feita pelas vias abdominal (suprapúbica) e vaginal e o "sling"é passado do abdome sob a uretra, junto ao colo visical e a extremidade do "sling" retorna à região suprapúbica onde ambos os fios são amarrados entre si, sobre a aponevrose do reto abdominal, sem tensão ou sem fixação no músculo. A proposta dos autores é que esta técnica seja utilizada indistintamente para todos os tipos de incontinência urinária, seja por hipermobilidade uretro-vesical ou por insuficiência esfincteriana. Na avaliação dos resultados cirúrgicos os autores não consideram a classificação de I.U.E. em tipos I , II ou III1, e no conjunto os casos foram classificados em simples ou complexos. Foram considerados casos complexos as pacientes incontinentes que eram portadoras de urge-incontinência, uretra fibrosa fixa, fístula uretral ou vesicovaginal, divertículo uretral, cistocele grau 3 ou 4 ou bexiga neurogênica . Estes casos representavam 188 pacientes ( 75% do total ). Foram classificados como simples 63 pacientes incontinentes ( 25% do total ) que não se enquadravam na classificação dos casos complexos e também aqueles com instabilidade detrusora, desde que não apresentassem urge- incontinência ou cirurgia prévia. No conjunto houve cura em 73% dos casos, melhora em 19% e falha em 8%. A maior porcentagem de bons resultados ocorreu entre os casos simples ( 98% ) e entre os complexos os autores registraram 93% de cura, 5% de casos melhorados e 2% de falhas. Na opinião dos autores, a maior parte das falhas foi decorrência da persistência dos sintomas de urge-incontinência. Dos 165 casos que apresentavam urge-incontinência no pré-opratório, 23% persistiram com esses sintomas no 1º ano após a cirurgia. Gradativamente, outros casos apresentaram recidiva desta sintomatologia, atingindo ao fim de 10 anos, a cifra de 41% dos casos. A queixa de urge-incontinência no pré-operatório e a existência de múltiplas cirurgias prévias parece ser um dos principais fatores da persistência desses sintomas. Os autores salientam que o "sling" deve ser colocado sem tensão em todas as pacientes e ressaltam que o fato de não o fixarem na fascia do reto abdominal constitui um importante fator de sucesso desta técnica. A ampliação da indicação desta cirurgia para todos os tipos de incontinência urinária é justificada pelos autores, pelo fato de acreditarem, que o ponto de pressão de perda urinária ( "leak point pressure") ou a hipermobilidade uretral não influenciam nos resultados após a utilização do "sling" pubovaginal. A proposta dos autores é tentadora tendo em vista que preconizam um único tipo de cirurgia para todos os casos de incontinência urinária. Entretanto deve-se ter uma certa cautela na adoção desta conduta, principalmente se considerarmos que para muitos casos simples de incontinência urinária, esta técnica cirúrgica é aparentemente excessiva, além, obviamente, da possibilidade de ocorrência de eventuais complicações pós operatórias, tais como, retenção urinária e urge-incontinência. José Carlos Souza Trindade 1. BLAIVAS, J. G.; OLSSON, C. A. Stress Incontinence Classification on Surgical Opproach. J. Urol., v.139, p.727-31, 1988. |
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