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Incontinência urinária de esforço genuína é definida como a perda involuntária de urina durante a tosse, riso e outras atividades em que ocorre aumento da pressão abdominal4. No decorrer dos anos, diferentes técnicas cirúrgicas foram propostas para a correção do problema. A colposuspensão retropúbica (Cirurgia de Burch) por meio de uma laparotomia é uma das técnicas mais utilizadas na correção da incontinência urinária de esforço5,6 com taxas de cura de 70 a 80%5-8. Entretanto, este procedimento tem desvantagens como a necessidade de uma laparotomia, pouca visibilidade do espaço retropúbico, perda sangüínea devido à dissecção do espaço de Retzius5 e da mobilização da bexiga, tempo prolongado para a execução da cirurgia e, finalmente, hospitalização prolongada e desconforto para a paciente9.

A laparoscopia tem se tornado uma alternativa técnica que permite a colocação de suturas de suspensão sob visão direta. Vancaille e Schuessler10 foram os primeiros a descrever a abordagem transperitoneal laparoscópica para a correção da incontinência urinária de esforço utilizando a técnica de Marshall-Marchetti-Krantz (MMK). Polascik5, em 1994 descreveu uma técnica utilizando uma modificação laparoscópica da Cirurgia de Burch. Estas modificações, contudo, requerem que o procedimento seja executado por via transperitoneal, com os associados riscos de lesão visceral, sangramento, peritonite, formação de aderências, hipercarbia e hipotermia11,12. Adicionalmente, tal abordagem requer múltiplas punções para a colocação do laparoscópio e instrumentos laparoscópicos. A abordagem transperitoneal laparoscópica também requer o domínio de técnicas de sutura laparoscópica, as quais tem uma longa curva de aprendizagem e prolongam o tempo operatório.

Raboy13 foi o primeiro a descrever a suspensão vesicouretral endoscópica extraperitoneal para o tratamento da incontinência urinária de esforço e tem obtido excelentes resultados a curto prazo. Posteriormente, Knapp14 realizou a uretropexia por meio da suspensão laparoscópica retroperitoneal com agulha e para conseguir excelente mobilização do colo vesical utilizou um balão dissecador extraperitoneal. Esta técnica usa uma única punção para a laparoscopia e a sutura é colocada sobre a fáscia que recobre o púbis para prover uma ancoragem firme. O procedimento descrito neste trabalho utiliza suturas no suporte periostal forte (Ligamento de Cooper).
A bexiga é mobilizada, e o Ligamento de Cooper é dissecado exclusivamente pela óptica. Esta técnica usa uma única punção extraperitoneal para inserção apenas do laparoscópio, sem incisões fasciais ou vaginais. A dor no período pós-operatório é mínima. Cinco pacientes estão completamente continentes, e uma única paciente relata incontinência urinária leve, mas melhorada.