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Entre Janeiro de 1997 e Fevereiro de 1998, 8 pacientes portadoras de incontinência urinária de esforço genuína foram submetidas à Cirurgia de Burch por técnica laparoscópica extraperitoneal 3. A idade média das pacientes foi de 52 anos (variando de 32 a 65). Nenhuma das pacientes apresentava doenças sistêmicas ou utilizava medicações. Uma das pacientes submeteu-se, concomitantemente, à esterilização por ligadura tubária laparoscópica. A avaliação pré-operatória incluiu a obtenção de história e exame físico completo, com demonstração da incontinência urinária de esforço e detecção de cistocele ou prolapso genital. Testes laboratoriais incluíram urinálise e cultura. Um cistometrograma foi realizado para excluir a presença de bexiga neurogênica ou instabilidade vesical.
Sob efeito de anestesia geral, a paciente é colocada em posição de litotomia, e introduz-se um cateter de Foley 16 Fr para esvaziar a bexiga, que é deixado in situ. Um trocarte laparoscópico de 10 mm é inserido através de uma incisão transversa à meia distância entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical (figura 1). Através deste trocarte, a óptica é introduzida no espaço retropúbico, que é insuflado com CO2 à taxa de 1 a 2 l/min, até atingir a pressão de 12 mmHg. A bexiga é mobilizada e o ligamento de Cooper é dissecado utilizando-se movimentos laterais e de báscula, exclusivamente pela óptica laparoscópica. Não são feitas punções adicionais. Duas incisões cutâneas transversas são feitas lateralmente na borda superior da sínfise púbica, uma à esquerda e outra à direita. Com monitorização laparoscópica, a agulha de Tonigham com um fio prolene 1 é introduzida através desta incisão, e então o ligamento de Cooper é transfixado (figura 2). Dois dedos são inseridos na vagina e a parede vaginal anterior é empurrada para cima e para frente para auxiliar a passagem da agulha , que é exteriorizada na vagina . Neste momento o prolene é retirado da agulha, e esta retorna ao espaço pré-vesical , sendo recuada até que a sua extremidade libere-se do ligamento de Cooper , porém sem que a mesma deixe a região retropúbica . Posteriormente, a agulha de Tonigham transfixa, novamente, a vagina, e o fio de prolene é reinserido no orificio da agulha, formando assim uma alça na parede vaginal. Os fios são, a seguir, exteriorizados na região supra-púbica. Duas suturas são feitas de cada lado. Os nós são amarrados extracorporealmente e quando tracionados atingem automaticamente o espaço pré-vesical ancorando-se no ligamento de Cooper. Os mesmos procedimentos são realizados no lado contralateral. Todos os passos cirúrgicos são observados por meio do laparoscópio e a elevação do colo vesical é avaliada pela cistoscopia.