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No Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP foi iniciado um protocolo de tratamento clínico da incontinência urinária de esforço. As pacientes foram divididas em dois grupos: Grupo 1- 10 pacientes com insuficiência esfincteriana intrínseca (estudo urodinâmico demonstrando pressão de perda sob esforço < 60 cm H2 O ) e Grupo 2 - 12  pacientes com incontinência urinária de esforço devido à hipermobilidade do colo vesical, sem deficiência esfincteriana. A idade das pacientes variou, no Grupo 1, de 44 a 81 anos com seguimento médio de 24 meses; no Grupo 2, a idade variou de 46 a 71 anos com seguimento médio de 8 meses. Os critérios de seleção foram baseados na história clínica, avaliação da musculatura perineal e estudo urodinâmico. Todas as pacientes do Grupo 1 apresentavam história de urge-incontinência e 78% destas foram submetidas previamente a pelo menos um procedimento cirúrgico para correção da IUE. No Grupo 2, 86% das pacientes apresentavam urge-incontinência e 50% relatavam cirurgia prévia para correção da incontinência urinária.
Embora as pacientes se sentissem desconfortáveis com a perda urinária, todas optaram pela eletroestimulação endovaginal e cinesioterapia em função de problemas clínicos associados, que não permitiam a realização do procedimento anestésico-cirúrgico sem riscos relevantes, ou pela não aceitação de nova intervenção cirúrgica.
As pacientes foram submetidas a Eletroestimulação Endovaginal (EEV) com aparelho Empi - sistema de estimulação endovaginal (INNOVA) e cinesioterapia. O eletrodo deve ser colocado no fundo vaginal.
O protocolo de tratamento constou de 3 sessões semanais de eletroestimulação durante 14 semanas. Nas duas primeiras semanas foram utilizados 5 segundos de estímulo com 10 segundos de repouso (5/10) durante 15 minutos. Na 3° e 4° semanas foram utilizados estímulos de 5 segundos com 5 segundos de repouso (5/5), com duração de 15 minutos. Na 5° e 6° semana, 5 segundos de estímulo com 10 segundos de repouso (5/10), durante 15 minutos.
A partir da 7° semana foram efetuados 5 segundos de estímulo com 5 segundos de repouso (5/5), com duração de 30 minutos até completar as 14 semanas. A partir da 5° semana foi iniciada a cinesioterapia concomitante à EEV.
Os exercícios que aumentam a pressão abdominal devem ser evitados inicialmente, pois podem causar perdas urinárias e desestimular a paciente para prosseguir o tratamento. Tais exercícios podem ser indicados quando os efeitos da EEV estiverem consolidados, habitualmente no final das 14 semanas de tratamento. Deve ainda serem realizados diariamente 3 séries de 10 exercícios na residência da paciente. A combinação de exercícios realizados no hospital e em casa, ou seja, a continuidade, permite a obtenção dos melhores resultados.