A obstrução infravesical na mulher é reconhecidamente uma causa de disfunção miccional, porém a sua fisiopatologia ainda não foi totalmente elucidada. Os principais sintomas são dificuldade para inicio da micção , diminuição da força e do calibre do jato urinário , jato intermitente e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Entretanto Massey e Abrams1 observaram somente 40% de sintomas obstrutivos em mulheres cujo estudo urodinâmico havia revelado obstrução, demonstrando uma baixa correlação entre os sintomas urinários obstrutivos e a obstrução infravesical na mulher.

A uretra feminina é um tubo fibromuscular de 3 a 5 cm de comprimento recoberto por um epitélio estratificado transicional que se origina proximalmente da bexiga, e escamoso distalmente, derivado do epitélio vulvar2. Observa-se ainda receptores estrogênicos na sua parede 1,3,4, em maior abundância na uretra distal 4.

O calibre normal da uretra é bastante discutível, Uehling5, em 1978, estudando 250 mulheres sem queixas urinárias ou qualquer outra alteração importante, observou que o calibre uretral foi em média de 22Fr. Gleason6 observou correlação negativa do diâmetro uretral medido por velas dilatadoras e o fluxo urinário máximo. Hinnan 4 acredita que o calibre normal seja 9F, e que a dilatação deste meato não altere a força do fluxo, e sim suas características fisicas5.

A obstrução da uretra feminina pode ser classificada de acordo com a sua localização ou pela intensidade da lesão histológica na uretra7(Fig.1). Discutiremos a seguir separadamente os aspectos etiopatogênicos e tratamento levando-se em consideração os diferentes níveis de obstrução na mulher.