PROCESSOS EXPANSIVOS
Diversas patologias podem ocasionar efeito de massa na uretra tais como: hemangiomas, prolapso de mucosa, condiloma, pólipos, cisto periuretral, adenomas, pólipo fibroepitelial e os carcinomas8. Estas patologias podem ocasionar sintomas obstrutivos, as vezes de características intermitente, como dor local, uretrorragia e hematúria8. A lesão uretral mais comum na mulher é a carúncula podendo na maioria dos casos fazer protusão através do meato uretral e desta forma ocasionar sintomas obstrutivo8 (Fig.2). A deficiência estrogênica seria a possível causa desta patologia, que ocorre na menopausa, cujo tratamento nos casos sintomáticos seria a estrogênoterapia local e anti-inflamatório, e excepcionalmente a excisão cirúrgica9. Dentre os tumores benignos da uretra observamos os leiomiomas , os hemangiomas e os fibroepiteliomas10. Os fibroepiteliomas acredita-se serem decorrentes da irritação uretral crônica provocada pelo cateterismo de demora principalmente em pacientes paraplégicos. O tratamento realizado na maioria das vezes é a exerese cirúrgica, podendo levar à estenose uretral secundária8.
Os carcinomas primários de uretra feminina são raros podendo ser tratados com radioterapia ou com exerese cirúrgica na dependência do tipo histológico11.Garden11 notou 40% de estenose de uretra após tratamento com radioterapia para tumor escamoso de uretra.

PÓS TRATAMENTO CIRURGÍCO
A causa mais freqüente de estenose uretral é iatrogênica, consequente ao tratamento cirúrgico do prolapso genital ou da incontinência urinária, devido a hipercorreção cirúrgica12 (Fig.3). Na cirurgia de Marshall-Marchetti-Krantz ocorre retenção urinária em 5 a 20% dos casos 7, 5 a 7% nas uretropexias por agulha13 e 2,8 a 25% nos Sling ou uretropexias retropubicas14,15. Apesar da melhor compreensão da fisiopatologia da incontinência urinária ter permitido que os Slings sejam realizados sem tensão, diminuindo consideravelmente os casos de obstrução, estes procedimentos são os que ocasionam maior grau de obstrução14. Nestes casos alguns autores preconizam a uretrolise e reoperação da incontinência urinária14.

DEFICIÊNCIA HORMONAL
O epitélio da uretra se transforma devido a privação estrogênica, na menopausa, ocasionando a transformação do epitélio de escamoso para colunar, o que caracteriza a uretrite senil16. Nas distrofias vulvares ocorre uma atrofia da mucosa uretral decorrente ao baixo nível hormonal, ocasionando um ressecamento da uretra e conseqüente hipovascularização, deixando esta susceptível a infecções e traumas, podendo ocasionar uma estenose geralmente puntiforme do meato12 (Fig.4), cujo tratamento compreende a reposição hormonal, dilatação uretral ou mesmo a meatotomia.

OUTRAS CAUSAS
Pode ainda ocorrer uma obstrução à nível do colo vesical decorrente da abertura inadequada deste, na doença de Marion17. O estudo urodinâmico, nestes casos, revela uma pressão de detrusor (Pdet) maior que 60 cmH2O com fluxo urinário máximo correspondente menor que 15ml/s17.
Mais raramente pode ainda ocorrer obstrução funcional da uretra devido a hipertonia do esfíncter uretral externo, sendo que nestes casos observa-se uma pressão de detrusor elevado e um fluxo urinário máximo baixo, a calibração uretral é normal (22Fr) 18. Noble19 em 1995 mediu a espessura do esfíncter estriado utilizando ultra-som transvaginal em mulheres com obstrução, pela vídeourodinâmica, em comparação com mulheres não obstruídas, observou que em média o volume do esfíncter das pacientes obstruídas foi de 3 cm3 contra 1,3cm3 mas não obstruídos. Entretanto o autor questiona se este fator poderia ser considerado como causa de obstrução nestas mulheres19. Em casos selecionados onde as pacientes tenham um colo vesical competente está indicada a uretrotomia interna, a fim de se evitar a incontinência urinária pós-tratamento18. Nas mulheres submetidas a uretrotomia interna ocorre uma depressão no perfil uretral máximo, porém sem alteração na transmissão de pressão, demonstrando nestes casos uma lesão no mecanismo intrínseco de coaptação uretral, não afetando o mecanismo extrínseco de continência urinária20.