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JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA

Resumos Comentados

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  • Injeção de colágeno para o tratamento de incontinência urinária secundária à cistectomia radical e neobexiga ortotópica.
    Tchetgen,M.B.; Sanda, M.G.; Montie, J.E.; Faerber, G.J.
    Department of Surgery, University of Michigan Medical Center, Ann Arbor USA. J. Urol., V. 163, p. 212-4, 2000.

RESUMO


OBJETIVO:
Determinar a eficácia clinica de colágeno injetado para o tratamento de incontinência urinária em mulheres secundária à cistectomia e a neobexiga ortotópica.

CASUÍSTICA E MÉTODOS: Três mulheres com idades variando de 58 a 74 anos submeteram-se a injeção transuretral com colágeno para tratamento de incontinência urinária de esforço secundária à cistectomia e neobexiga ortotópica. Anterior à cistectomia, duas mulheres negaram qualquer grau de incontinência, enquanto uma relatou grau leve. O aparecimento da incontinência de esforço após a cirurgia variou de 8 meses a 3 anos. O número de absorventes utilizados, por dia, variou de 3 a 5. Todos os pacientes foram submetidos à video-urodinâmica antes da aplicação de colágeno. A capacidade da neobexiga variou de 180 à 400 ml e a pressão de perda aos esforços variou de 30 a 60 cm de água.

RESULTADOS: um total de 6 injeções foram aplicadas, incluindo 3 em uma paciente, 2 na segunda e uma na terceira. Todas as três mulheres apresentaram melhoras significativas ou ficaram continentes com a injeção inicial, mas necessitaram de repetições das aplicações para a manutenção da condição de melhora clínica. Após 7 a 8 meses da última aplicação, uma mulher mantinha-se continente, outra utilizava apenas 1 absorvente / dia e a terceira mantinha-se clinicamente igual ao período que antecedeu o tratamento.

CONCLUSÕES: a injeção de colágeno parece ser um tratamento mimimamente invasivo e efetivo, para os casos de cistectomia e neobexiga ortotópica em mulheres.

COMENTÁRIO EDITORIAL

Na década de noventa vimos o desenvolvimento de cistectomias com preservação da uretra e a realização de neobexigas ortotópicas em mulheres, questionando mais uma "verdade científica" da impossibilidade de manutenção da continência nas mesmas. Várias séries tem mostrado continência diurna em 70 a 90%dos casos. Outro aspecto peculiar da neobexiga ortotópica no sexo feminino é o desenvolvimento da "hipercontinência" com maior incidência de autocateterismo neste sexo1. Uma das explicações para este fato seria o desenvolvimento da "neobexigacele" ou a manutenção do colo vesical.
Outros estudos já procuraram avaliar a efetividade do colágeno no tratamento de incontinência urinária, em pacientes com bexiga e etiologia que variava de extrofia à incontinência urinária de esforço. Os resultados mostraram a obtenção de continência urinária em mais de 50% dos casos, e estes, ao estudo urodinâmico, apresentavam aumento da pressão de perda ao esforço. Outra constatação foi que a maioria dos pacientes que não se beneficiaram do tratamento possuíam ou instabilidade vesical ou baixa complacência.
Outro fato curioso é que os resultados do tratamento da incontinência urinária com injeção endoscópica aparentemente são melhores em mulheres do que em homens. Appell et al.2 (1992) relataram continência urinária, com mais de 1 ano de acompanhamento, em 66,7% dos homens e 92,6% das mulheres.
Embora este artigo apresente uma casuística pouco significativa e o tempo de acompanhamento de 8 meses seja curto, quando o assunto é continência urinária e o método é a aplicação de colágeno. Podemos supor, por analogia aos trabalhos anteriores, que a injeção periuretral de colágeno talvez seja um método eficaz, nos casos de neobexiga ortotópica com incontinência urinária esfincteriana. Esta conduta ainda apresenta a possibilidade de reaplicações, com baixa morbidade e o uso de anestesia local.

José Carlos Souza Trindade Filho


1- Stenzi A, Colleselli K, Poisel S, Feichtinger H, Pontasch H, Bartsch G. Rationale and technique of nerve sparing radical cystectomy before an orthotopic neobladder procedure in women. J Urol, 1995;154:2044-9.

2- Appel RA, Macaluso JN, Deutch JS, Goodman JR, Prats LJ, Wahl P. Endourologic control of incontinence with gax collagen: the isu experience. J Endourol, 1992; 6: 275-7.

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