Nos últimos anos o sling tornou-se a técnica preferencial no tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) tanto por deficiência esfincteriana intrínseca (tipo III), como por hipermobilidade uretral1. Como estas duas formas podem coexistir na mesma paciente, a utilização de sling corrige de maneira adequada a perda urinária da paciente.
O aprimoramento das técnicas cirúrgicas evoluiu para resultados mais efetivos e um menor índice de complicações. Os resultados a longo prazo são excelentes, quando comparados a outras formas de tratamento da IUE2,3.
O conceito da utilização de suportes uretrais (slings) para o tratamento da IU é antigo, tendo sido introduzido há quase 100 anos por Giordano e posteriormente por Goebells. A perda de entusiasmo inicial deveu-se a dificuldades técnicas e a um alto grau de complicações. Com o passar do tempo, a partir de 1990, com os resultados pouco efetivos das suspensões endoscópicas e com as simplificações técnicas dos slings, estes passaram a ser mais aceitos na prática urológica4,5.
O objetivo da colocação do sling é posicionar uma faixa de material natural ou sintético sob a uretra, para restabelecer uma resistência suficiente ao esvaziamento vesical. Desta maneira, a uretra que apresente uma lesão intrínseca poderá evitar a perda urinária no momento de manobras de esforço. No mesmo sentido deveremos evitar um processo obstrutivo, permitindo que se consiga uma micção espontânea. Além disto, o sling também poderá corrigir a posição anatômica da uretra.
Atualmente, a teoria que predomina na correção da IUE demonstra que é mais importante a sustentação da uretra do que propriamente a sua compressão. Com a técnica apropriada de colocação do sling não deverá haver compressão da uretra, e sim apenas sua sustentação no momento de aumento de pressão intra-abdominal, para que não haja perda urinária naquele instante.
Foram descritas numerosas técnicas do procedimento de colocação de sling. A abordagem cirúrgica pode ser abdominal, transvaginal ou combinada. Os materiais utilizados podem ser autólogos, tais como: fáscia do reto abdominal, fáscia lata, parede vaginal. O sling também pode ser de fáscia lata cadavérica, atualmente utilizado com bastante freqüência. Em relação aos sintéticos, como goretex, silastic, mersilene ou dacron, raramente têm sido utilizados. A exceção fica por conta do sling de polipropilene (TVT), cuja indicação está aumentando a cada dia, pela sua simplicidade técnica, rapidez de execução e resultados adequados a médio prazo.