Papel do estudo urodinâmico

Mesmo quando investigadas minuciosamente com história e diário miccional "excluindo" sintomas compatíveis com a instabilidade do detrusor esta entidade pode ser diagnosticada em até 9% das pacientes, ser responsável exclusiva pela incontinência em 5% das doentes ou estar em conjunto com a IUE em 4% dos casos(9). Esta incidência aumenta consideravelmente para o subgrupo das pacientes que tem sintomas de ID. Uma parcela considerável das pacientes tem sintomas pouco definidos e não sabe definir claramente qual o sintoma é pior, se os sintomas de perdas urinárias aos esforços ou os de urgeincontinência. Este subgrupo de pacientes se beneficia claramente do estudo urodinâmico. Este exame permite a confirmação da existência de instabilidade do detrusor, a complacência vesical, o resíduo pós miccional e a pressão de perda sob esforço (PPE) e a pressão de contração vesical. (A PPE é útil para cirurgiões que não fazem do sling pubovaginal ou do TVT a cirurgia de escolha para o tratamento da IUE.)
A incontinência urinária mista não é uma entidade única. Na realidade existem várias condições que podem levar aos sinais e sintomas agrupados como "incontinência urinária mista". Frente à complexa inter-relação existente entre o mecanismo esfincteriano e a atividade do detrusor, poder-se-ia dizer que, em um extremo estão pacientes com predomínio das perdas urinárias aos esforços (lesão predominante do esfíncter) e pouca ou nenhuma urgência/urgeincontinência (atividade do detrusor "normal"); no outro extremo pacientes com predomínio dos sintomas associados à instabilidade do detrusor e apresentando perdas pequenas aos esforços por déficit discreto do mecanismo esfincteriano. Evidentemente, o distúrbio predominante influência a escolha da terapia.