A reposição estrogênica propicia significativa melhora da incontinência e da maioria dos sintomas mencionados, embora ainda não se conheça totalmente o mecanismo de ação.
Em nossa casuística no Setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do Departamento de Ginecologia da UNIFESP-EPM, a terapêutica estroprogestativa em mulheres com incontinência urinária de esforço, sem prolapso uterino e com cistocele de primeiro ou de segundo grau, propiciou significativa melhora clínica, com diminuição dos episódios de perda urinária e do resíduo pós-miccional, bem como significante aumento da capacidade vesical, da pressão de fechamento uretral e do fluxo urinário médio(24).
Temos avaliado os efeitos da reposição hormonal sobre os elementos responsáveis pela continência urinária. Assim, analisamos os diferentes esquemas terapêuticos, por meio de estudos experimentais e de ensaios clínicos, com diversas drogas e vias de administração. Observamos que os sintomas e os efeitos decorrentes da deficiência estrogênica são revertidos com relativa facilidade. É óbvio que a resposta é mais rápida quanto maior a potência do fármaco utilizado. Preferimos a hormonioterapia sistêmica por vários motivos, dos quais salientamos que a utilização de preparados tópicos por longos períodos acabam por incomodar as pacientes e, a depender do produto, poderá produzir um estímulo estrínico sistêmico prolongado e contínuo, aumentando o risco de carcinoma de endométrio, sem que por vezes a paciente ou o médico disto se apercebam; a terapia vaginal tópica não produz os efeitos benéficos em outros órgãos e tecidos.
Deve-se enfatizar os critérios para a reposição estrogênica, bem como a necessidade de rigoroso acompanhamento para que não ocorram sobressaltos.
Por fim, deve-se salientar que adotamos como rotina iniciar a terapêutica das pacientes com incontinência urinária de esforço pela reposição hormonal, quando os sintomas surgiram ou se acentuaram com o advento do climatério. Damos preferência, no momento, pelo esquema estroprogestativo contínuo com estrogênios conjugados eqüinos associados a acetato de medroxiprogesterona.