A incontinência urinária de esforço (I.U.E.) é definida como a perda involuntária de urina durante um aumento súbito da pressão intrabdominal, sem contração detrusora simultânea1.
A continência urinária resulta de uma série de mecanismos interligados. Existe uma combinação de fatores atuantes, que inclui o suporte anatômico pélvico, o mecanismo intrínseco uretral, a integridade neurofisiológica e a ação hormonal.
O diagnóstico da I.U.E. depende do conhecimento da anatomia pélvica e do complexo mecanismo do controle urinário. A escolha do tratamento adequado deve levar em conta o tipo de perda urinária. A conduta deve sempre ser particularizada para cada paciente.
A classificação da I.U.E. é importante, pois nos informa o tipo e o grau de perda, elementos fundamentais para a indicação do tratamento, seja ele clínico ou cirúrgico.
A I.U.E. pode ocorrer com ou sem alteração anatômica do aparelho esfincteriano. Chamamos incontinência urinária de esforço de causa anatômica, quando existe deslocamento inferior e posterior do colo vesical e uretra proximal ao esforço, com conseqüente perda. Nesses casos a pressão abdominal de perda é geralmente alta.
Por outro lado a Insuficiência ou Incontinência Esfincteriana é sempre uma incontinência severa e associada com lesão intrínseca do esfincter urinário, podendo ou não vir associada a descida do colo vesical ao esforço. Apesar do valor numérico ser ponto de controvérsia, McGuire assinala que as perdas com pressão intravesical menor que 65 cm/H2O, devem ser consideradas como insuficiência esfincteriana 2.
Pode haver concomitância dos dois mecanismo fisiopatológicos na mesma paciente, e isso geralmente ocorre 3.
A urodinâmica é atualmente o método de escolha no diagnóstico das perdas urinárias e disfunções miccionais, especialmente pela possibilidade de afastar causas detrusoras de perda. A videourodinâmica associa as imagens do trato urinário inferior durante a análise dos fenômenos pressóricos e eletromiográficos.