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JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA

Resumos Comentados

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  • Raça como um prognóstico de incontinência urinária e de prolapso pélvico de órgão.
    Graham C.A. e Mallet VT – Department of Obstetrics and Gynecology, Wayne State University, School of Medicine, Hutz Hospital
    Am J Obst Gynecol 185(1) : 116-120, 2001


RESUMO

OBJETIVO: o propósito deste estudo foi avaliar o efeito da raça nos resultados de uma avaliação padrão de incontinência urinária e de prolapso em americanas afro-descendentes e caucasianas.

PLANO DE ESTUDO: foram analisadas 183 afro-americanas e 132 caucasianas referidas como portadoras de sintomas associados com incontinência urinária, prolapso pélvico de órgão ou ambos.

RESULTADOS: incontinência de estresse genuína, instabilidade do detrussor, incontinência mista ou outra condição foram diagnosticadas respectivamente em 22%, 30%, 16% e 32% das pessoas afro-americanas, comparadas com 46%, 13%, 11% e 31% das pessoas caucasianas (p=0,001). Não houve diferença racial significante na presença ou severidade de prolapso pélvico de órgão. Com o uso de análise de regressão para comparar os fatores de risco para a incontinência, a raça caucasiana foi o fator prognóstico da incontinência de estresse genuína (razão de desigualdade de 2,21; com variação de 1,31 – 3,73 para um intervalo de confiança de 95%) e a raça afro-americana teve o único fator prognóstico significante para a instabilidade do detrussor (razão de desigualdade de 2,6; com variação de 1,45 a 4,80 para um intervalo de confiança de 95%).

Conclusão: os fatores de risco para a incontinência urinária e as condições em que ocorre diferem significantemente entre as mulheres afro-americanas e as caucasianas nesta população. As diferenças raciais são fatores de risco e a prevalência de subtipos de incontinência podem ter importância para o diagnóstico e a prevenção da incontinência urinária.

                                         COMENTÁRIOS

A idade, o sexo e a paridade são fatores de risco para a incontinência urinária na mulher bem conhecidos. Entretanto, alguns trabalhos mostraram que podem existir outros fatores de risco para a incontinência entre os quais encontra-se o fator racial (1,2), principalmente quando são considerados os seus subtipos (de estresse, de urgência e incontinência urinária mista).
No presente trabalho os autores tiveram como objetivo estudar o fator racial nos resultados da avaliação diagnóstica padrão baseada na história clínica das pacientes, no exame neurológico, no exame ginecológico para a determinação do grau de prolapso vesical e no exame urodinâmico completo.
A condição de incontinência de estresse genuína foi diagnosticada quando a perda de urina fosse observada concomitantemente com manobras estressantes e sem que ocorressem contrações vesicais não inibidas observáveis ao exame cistométrico. O diagnóstico de instabilidade do detrussor foi estabelecido quando contrações não inibidas documentadas no exame cistométrico coexistiam com urgência miccional ou perda urinária.
As mulheres foram clinicamente avaliadas quanto à raça, sintomas de incontinência, idade, índice de massa corpórea, paridade, menopausa, uso de estrógenos, de tabaco e história de diabetes mellitus, hipertensão arterial, histerectomia e cirurgia prévia para prolapso ou incontinência.
As pacientes foram divididas em dois grupos raciais por auto-identificação: americanas caucasianas (n = 132) e afro-descendentes (n = 183).
Na comparação dos sintomas de incontinência com o diagnóstico estabelecido pelo exame urodinâmico não houve diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos (incontinência de estresse: 34% das afro-descendentes vs. 25% das caucasianas; instabilidade do detrussor: 44% das afro-descendentes vs. 47% das caucasianas e incontinência mista: 59% das afro-americanas vs. 64% das caucasianas).
Também não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes quando foram comparadas as incidências de prolapso vesical e de hipermotilidade do colovesical entre dois grupos raciais.
Entretanto, quando os diferentes parâmetros estudados (clínicos, urodinâmicos e a raça) foram comparados por análise de regressão, a raça apareceu como a única variável de importância prognóstica no estabelecimento do subtipo de incontinência.
Para as mulheres caucasianas a raça surgiu como fator prognóstico importante na incontinência de estresse genuína, enquanto que para as afro-americanas a sua raça foi fator prognóstico preponderante na instabilidade da musculatura vesical.
A despeito da inclusão neste estudo de fatores de risco importantes para a incontinência urinária feminina tais como a idade, a paridade, a obesidade, o fumo, o diabetes, etc. foi a raça o único fator de risco que acentuadamente se destacou dos demais na análise estatística realizada neste trabalho (análise de regressão).
Na verdade esta foi a verificação mais importante feita neste estudo, porque já havia indicação de que o fator racial era importante na incontinência urinária feminina, como atestou trabalho realizado em 1975(3) em que se observou que mulheres negras tinham um colovesical mais alto, uma uretra mais longa, uma resistência intrauretral maior e uma força contrátil do soalho pélvico mais intensa quando comparadas a mulheres índias.
Embora o resultado do presente estudo seja importante, certamente não é definitivo. Nos Estados Unidos, como no Brasil e em outros países, as populações não são homogêneas quanto ao fator racial. Isto se deve à miscigenação que dificulta a classificação das pessoas segundo grupos raciais. Neste sentido, talvez fosse interessante e importante para o estabelecimento da raça como fator de risco para a incontinência urinária feminina a comparação de grupos raciais mais homogêneos, como são encontrados entre os nórdicos, japoneses e africanos.
Finalmente, um fator de risco apreciável para a incontinência é o tipo de trabalho de parto que sofreram estas mulheres que fizeram parte do presente estudo. Este fator, como os próprios autores reconheceram, não foram explicitados no estudo, o que prejudica sobremaneira o exato entendimento e o impacto deste fator de risco nos resultados obtidos.

Luiz Antonio Corrêa

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