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JORNAL DA INCONTINÊNCIA
URINÁRIA FEMININA

Resumos Comentados

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  • Estado atual dos slings com aloenxerto de fáscia lata no tratamento da incontinência urinária: efetivo ou efêmero?
    Wright E.J., Urology Department, Johns Hopkins Bayview Medical Center, Baltimore, Maryland, U.S.A.

    Techniques in Urology 7(2): 81-86, 2001.


RESUMO

OBJETIVO: a finalidade deste artigo é revisar o estado atual e a técnica do sling pubovaginal usando aloenxerto de fáscia lata de cadáver.

MATERIAIS E MÉTODOS: uma pesquisa na MEDLINE foi realizada para identificar artigos na literatura atual referentes a aplicações de aloenxerto de fáscia lata de cadáver nos procedimentos cirúrgicos reconstrutivos.

RESULTADOS: os estudos atuais de avaliação dos aloenxertos de fáscia lata de cadáver para o sling pubovaginal têm equivalentes para resultados de curto prazo quando comparados com os autoenxertos de fáscia. Seguimentos de longo prazo não são ainda disponíveis para estes estudos. A variabilidade no processamento do tecido ou fatores do hospedeiro podem ser importantes para alguns fracassos com os slings de fáscia cadavérica.

CONCLUSÕES: aloenxertos de fáscia lata de cadáver estão associados com eficácia e segurança razoáveis. Seguimento de longo prazo são necessários. Estudos adicionais de relação entre os métodos de processamento do tecido, técnicas cirúrgicas, fatores do hospedeiro e resultados, são necessários para avaliar o papel a longo prazo do enxerto de fáscia lata de cadáver para o sling pubovaginal.

                                               COMENTÁRIOS

O autor fez uma pesquisa pela MEDLINE para identificar as publicações mais relevantes referentes à cirurgia do sling pubovaginal. O propósito foi o de fazer uma avaliação a respeito dos resultados com o uso da fáscia lata de cadáver.
Habitualmente, para a realização do sling pubovaginal, é utilizada uma faixa, ou tira, da fáscia do músculo reto abdominal, utilizando-se portanto um material autólogo. Entretanto, vários estudos têm sido realizados no sentido de serem empregados materiais heterólogos ou mesmo sintéticos. Entre os materiais biológicos encontram-se as fáscias de músculo humano, bovino e de porcos e, entre os materiais sintéticos, têm sido utilizados o polietileno, o silastic, o polipropileno e o politetrafluoroetileno. Embora existam vários relatos de tratamento com o uso destes materiais, uma preocupação persiste referente à erosão da uretra que, pelo procedimento cirúrgico, permanece em contato com estes materiais.
Quanto à fáscia heteróloga o autor faz referência à importância da preparação do material que creio seja importante mencionar: lavagem do material em soluções antibacterianas e antivirais, lavagem à frio, liofilização com esfriamento à seco, desidratação do material e irradiação com raios gama. Entretanto, este processamento do material heterólogo não elimina totalmente a possibilidade de antigenicidade porque, entre outros elementos celulares, os ácidos nucléicos podem persistir no material.
Ao se utilizar a fáscia de animais deve-se considerar a possibilidade de que várias infecções comuns a estes possam, eventualmente, contaminar o ser humano. Por outro lado, na utilização de fáscias humanas cadavéricas a preocupação situa-se também na possibilidade da transmissão do HIV, dos vírus da hepatite, da transmissão de células cancerosas, de bactérias, de sífilis, da raiva e assim por diante.
O autor, considera que são mínimas as probabilidades de que alguma complicação venha a ocorrer com a utilização deste materiais, desde que sejam tomados todos os cuidados no preparo dos mesmos. Salienta, também, que embora muitas técnicas sejam utilizadas para a colocação do sling pubovaginal, persistem duvidas quanto à escolha da incisão, à extensão da perfuração do ligamento uretropelvico, ao grau de uretrolisis, às dimensões do sling e á escolha dos locais de fixação. Considera que dois são os fatores críticos para o sucesso da cirurgia para a incontinência urinária na mulher: a exata identificação da junção uretrovesical e o correto posicionamento do sling.
O autor relata seis trabalhos realizados com fáscia lata de cadáver entre 1996 e 2000. Nestes, o percentual de melhora subjetiva (uso pós-operatório de nenhum até dois "pads" por dia) variou de 83 a 98% e o percentual de cura de 63 a 79%, num seguimento pós-operatório que variou de 6 a 19 meses.
Estes trabalhos foram comparados com outros seis publicados entre 1997 e 2000 e que foram realizados com fáscia lata autóloga. Nestes, o percentual de melhora subjetiva variou de 85 a 94% e o de cura foi de 46 a 82%, num segmento de 3 meses a 4 anos.
Concluiu que os resultados foram semelhantes, o que justificaria mais debates em relação ao uso de fáscia lata de cadáver que, entre outras vantagens, diminuiria o tempo cirúrgico e a morbidade. No entanto, ressalva que os dados foram comparados numa evolução de pós-operatório de curta duração, já que não há dados disponíveis de evolução a longo prazo quando é usada a fáscia lata cadavérica.
Em minha opinião, mais estudos são necessários para se ter o exato conhecimento do uso da fáscia lata homóloga (de cadáver humano) e heteróloga (de animais). Além do preparo do material, como acima já foi mencionado, é necessário estabelecer-se (de acordo com cada técnica laboratorial de preparo do material) as reações específicas do hospedeiro frente à presença de um enxerto homólogo ou heterólogo e se essas reações não seriam as responsáveis, eventualmente, pelo insucesso dos procedimentos cirúrgicos.

Luiz Antonio Corrêa

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