A bexiga, a uretra e a musculatura do assoalho pélvico formam a unidade funcional responsável pela continência urinária. As estruturas anatômicas da pelve se dividem em passivas e ativas6. As passivas são formadas pelos ossos pélvicos, fáscias visceral e parietal. As condensações da fáscia parietal e visceral (fáscia endopélvica) associadas a fibras musculares lisas formam ligamentos e músculos, que vão sustentar a bexiga e uretra7.
As estruturas anatômicas ativas compreendem os componentes neuromusculares, responsáveis pela manutenção do tônus e contração muscular em resposta a aumento súbito da pressão abdominal.
De Lancey et al8 em 1992, introduziram o conceito de que o tecido conectivo suporta a pelve em três níveis: pelos ligamentos uterosacrais e cardinais, pelos ligamentos da vagina, e pelas estruturas que envolvem a uretra, elevador do ânus, músculo perineal e corpo do períneo. O músculo elevador do ânus, componente mais importante do assoalho pélvico, dá suporte aos órgãos pélvicos e também auxilia na ação do esfíncter da uretra, vagina, e reto9. Este músculo é composto por dois tipos de fibras musculares, tipo I, correspondente a 70% das fibras (contração lenta) e tipo II, que aparece em 30% das fibras (contração rápida). Esta composição permite a manutenção do tônus por um longo período, assim como a obtenção de um aumento repentino do tônus para compensar aumentos da pressão intra-abdominal que ocorrem durante a tosse, espirro e outros tipos de esforço físico9. A avaliação prévia da contratilidade dos músculos pélvicos é um fator importante para se determinar a terapia adequada para cada caso. Amaro e Moreira10 utilizando o perineômetro para avaliação objetiva da força muscular do assoalho pélvico observaram um déficit significativo da força muscular e na percepção deste grupo muscular nas mulheres incontinentes quando comparadas as continentes.
A espessura dos músculos do assoalho pélvico parece diminuir com a idade, consequentemente ocorre um decréscimo na força muscular. Nas mulheres jovens foi encontrada melhor consciência da função e maior força nos músculos do assoalho pélvico11. Utilizando ultrassonografia nas mulheres incontinentes que tiveram bons resultados após tratamento com exercícios perineais, foi demonstrada uma hipertrofia muscular, e ainda houve desaparecimento na diferença de espessura dessas fibras quando comparado com um grupo de mulheres continentes11.
Os programas de exercícios visam fortalecer a musculatura pélvica, mais especificamente o músculo elevador do ânus ,e desta forma ocorre o fortalecimento do componente peri-uretral do esfíncter uretral externo, aumentando o tônus e melhorando a transmissão de pressões na uretra reforçando assim o mecanismo de continência12.