Os exercícios pélvicos são eficazes quando bem indicados e não apresentam efeitos colaterais, porém existem dúvidas quanto à melhor maneira de aplicação para os músculos do assoalho pélvico.
A utilização de aparelhos que informam ao paciente por meio de sinais visuais ou sonoros (biofeedback), qual músculo ou grupos musculares são utilizados em cada exercício, permite a conscientização de um músculo pouco utilizado como o elevador do ânus. O aparelho de Biofeedback (BFB) leva à aprendizagem, pela auto-correção, de uma maneira natural. Pode ser ativa, comandado pelo paciente, onde o ponto de partida no sistema nervoso central é o lobo frontal, ou ainda passivo onde o ponto de partida é o assoalho pélvico, pela eletroestimulação. Previamente ao uso do BFB a paciente deve ser informada sobre noções anatômicas básicas, da função do assoalho pélvico e do equilíbrio vésico-esfincteriano. Na incontinência urinária esta técnica é aplicada a quatro níveis: muscular, vesical, esfincteriana e vésico-esfincteriana20. Desta forma é possível modificar ou intensificar uma atividade muscular.
O perineômetro de Kegel é um instrumento de biofeedback, e outros aparelhos similares tem sido desenvolvidos18.
Diferentes autores tem indicado exercícios do assoalho pélvico utilizando ou não biofeedback. STORDDARD21 utilizando um programa de exercícios supervisionado, durante 10 semanas, com um perineômetro, em 34 mulheres com incontinência urinária de stress, notou melhora subjetiva em 91% das pacientes, das quais 38% estavam continentes, 32% apresentaram melhora importante e 21% melhora leve.
CASTLENDEN et al22 estudando 19 mulheres incontinentes, realizaram, em um grupo, somente exercícios supervisionados e em outro grupo exercícios com biofeedback, com o auxílio de um perineômetro. Os autores referiram melhores resultados nas pacientes que utilizaram exercícios com biofeedback. SHEPHERD & MONTGOMERY23realizaram um estudo preliminar semelhante em 22 mulheres, e em dez das 11 mulheres que usaram biofeedback houve melhora subjetiva, comparada com seis das 11 utilizando somente o programa de exercícios.
BURGIO et al24 usando exercícios com biofeedback para reabilitação do assoalho pélvico observaram uma média de redução de 82% nos episódios de incontinência. Realizaram uma nova avaliação no 6º e 12º meses após o tratamento, e notaram que os resultados foram mantidos.
BERGHMANS et al25 em 1996 realizaram técnicas comparativas de tratamento para incontinência de esforço genuína, sendo um programa de treinamento do assoalho pélvico e o mesmo programa associado ao biofeedback, durante 20 sessões. Observaram que no grupo que fez uso do biofeedback a melhora foi mais rápida, porém não houve diferença significativa entre os grupos, ambos apresentaram 55% de melhora.
GORDON et al 26 em 1999, trataram 30 mulheres incontinentes com exercícios do assoalho pélvico e biofeedback e observaram 46,7% de cura completa e 50% de melhora, em 3% não houve melhora.
Desta forma podemos afirmar que os exercícios perineais quando associados ao biofeedback parecem produzir os melhores resultados no que concerne a continência urinária.