O tratamento da IU tem sido preferencialmente cirúrgico, no entanto, apesar de sentirem-se desconfortáveis pela perda urinária, algumas mulheres são relutantes a uma intervenção cirúrgica, que pode levar a complicações no pós-operatório. Outras, têm contra-indicações clínicas para a realização do procedimento anestésico-cirúrgico.
A mais antiga menção desta terapia para o tratamento da incontinência urinária ocorreu num texto médico na Swedish Work publicado em 1861. Neste artigo não foram descritos os tipos de exercícios utilizados13.
HENRIKSEN observou que o ato de iniciar e interromper o fluxo urinário durante a micção, levava ao fortalecimento esfincteriano e consequentemente à diminuição da perda urinária13.
ARNOLD KEGEL14, em 1948, foi o primeiro a descrever, de modo sistemático, um método de avaliação e um programa de exercícios para o fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico. Utilizava dois métodos diferentes para a avaliação do tônus da musculatura pélvica, subjetivamente por meio da palpação digital do intróito vaginal, e objetivamente através do perineômetro. KEGEL14 enfatizou a importância da supervisão e encorajamento no tratamento destas pacientes e recomendou que os controles fossem semanais. O restabelecimento do tônus e da função muscular, poderia, segundo o autor, ocorrer após 20 a 60 dias do início do tratamento. Este autor estudando 64 mulheres com incontinência urinária de esforço, utilizando o perineômetro por 20 minutos, três vezes ao dia, por um período de uma a duas semanas, obteve continência em todos os casos, com o seguimento de 14 meses14. Em outra série, observou um índice de cura de 84% estudando 500 pacientes15. Outros autores referem resultados semelhantes16,17. Observou-se que não ocorreriam falhas desta modalidade terapêutica quando a incontinência urinária era devida primariamente a flacidez ou atrofia parcial dos músculos do assoalho pélvico14.
BO et al18 demonstraram que uma supervisão adequada pode melhorar os resultados obtidos pelos exercícios perineais. Existe uma relação de dependência entre os exercícios perineais e a continência urinária, ou seja, os insucessos são maiores nas pacientes que não seguem adequadamente o protocolo dos exercícios.
FINCKENHAGEN et al 19 1998, trataram 36 mulheres portadoras de incontinência urinária de esforço, com um programa de exercícios de assoalho pélvico supervisionado durante seis meses, e obtiveram 67% de cura ou melhora significativa.