A avaliação urodinâmica não tem sido rotina nos tratamentos com exercícios perineais. Diferentes estudos demonstraram resultados não comparáveis. KUJANSUU27 não observou nenhuma diferença no estudo urodinâmico pré e pós - tratamento em mulheres submetidas a exercícios perineais não supervisionados. Como os exercícios do assoalho pélvico não alteram a pressão máxima de fechamento uretral é possível que o sucesso esteja relacionado à melhora do reflexo de contração do músculo pubococcígeo durante o esforço. Pacientes com incontinência urinária leve apresentam melhores resultados do que aquelas com incontinência severa. Apesar de utilizarem-se critérios objetivos nestes estudos, os programas de exercícios não foram bem monitorados na intensidade e na freqüência, além da falta de seguimento a longo prazo.
TCHOU et al28 avaliaram mulheres portadoras de incontinência urinária genuína, com controle urodinâmico prévio e realizaram exercícios perineais duas vezes por semana, por 30 minutos e após quatro semanas obtiveram teste de estresse negativo e melhora subjetiva nos sintomas. No entanto, não observaram diferenças estatisticamente significantes, seja no perfil pressórico uretral, seja no comprimento funcional da uretra. Após estudos urodinâmicos, TAPP et al29 observaram que, aquelas mulheres na pré-menopausa com sintomatologia precoce, mas com evidências urodinâmicas de função uretral adequada, seriam as que mais se beneficiariam com os exercícios perineais. BENVENUTI et al30 utilizando um programa fisioterapêutico durante três meses, com avaliação urodinâmica e estudo radiológico, pré e pós -tratamento, observaram 32% de cura da incontinência urinária e 68% de melhora acentuada. O estudo urodinâmico revelou um aumento significativo da pressão máxima de fechamento uretral e do comprimento funcional uretral pós -tratamento. A contratilidade tônica e fásica do músculo pubococcígeo estava aumentada em todas as pacientes examinadas. No seguimento entre 12 e 36 meses notaram-se que em 77% dos casos, os resultados se mantiveram.
O estudo urodinâmico deve ser utilizado na seleção e na indicação do tratamento fisioterapêutico mais adequado.
Exercícios do assoalho pélvico podem ser utilizados concomitantemente à estimulação elétrica31 ou aos cones vaginais32.
As comparações entre o tratamento fisioterapêutico e cirúrgico são raras na literatura. No entanto, KLARSKOV et al33 compararam 24 mulheres tratadas por métodos não cirúrgicos contra 26 mulheres tratadas por meio de colposuspensão supra-púbica ou por via vaginal, com seguimento de quatro a seis meses, e demonstraram que os resultados da cirurgia foram significantemente melhores do que os do tratamento fisioterapêutico do assoalho pélvico, pelos critérios objetivos e subjetivos. Entretanto, das pacientes tratadas satisfatoriamente por exercícios perineais, 42% não quiseram intervenção cirúrgica.
Apesar dos diferentes resultados obtidos na literatura utilizando exercícios do assoalho pélvico, não existe uma descrição detalhada ou mesmo padronização dos tipos de exercícios a serem utilizados, nós preconizamos uma seqüência de exercícios que atuam no fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico, abdominais e glúteos (Figura 1, 2, 3).
É importante o fortalecimento do músculo abdominal concomitante ao assoalho pélvico utilizando exercícios respiratórios, se considerarmos o sistema de polia formado pelo diafragma respiratório e urogenital.
MOREIRA e AMARO (dados não publicados) em um estudo preliminar com 25 pacientes portadoras de incontinência urinária de esforço, utilizando um programa de exercícios supervisionado três vezes por semana, durante 14 semanas, obtiveram bons resultados em 88% dos casos, sendo em 28% cura (paciente seca), e em 60% melhora (em 40% uma troca de forro/dia e em 20% duas trocas/dia).
Os exercícios perineais como uma modalidade terapêutica, num programa de treinamento do assoalho pélvico supervisionado é uma alternativa à cirurgia para alguns casos selecionados de incontinência de esforço. Também naquelas pacientes que deverão ser submetidas a um procedimento cirúrgico, este programa de treinamento poderá melhorar os resultados obtidos quando utilizado como terapia adjuvante.
A fisioterapia através de um programa de exercícios não produzirá cura ou melhora de todos os casos de incontinência de esforço entretanto, técnicas apropriadamente supervisionadas e rigorosamente realizadas de reabilitação muscular podem desempenhar um papel significativo na IUE34.
Os exercícios perineais podem ser utilizados em casos selecionados como uma nova opção no tratamento da incontinência urinária, seja no pré -operatório, naqueles casos de falha do tratamento cirúrgico ou como tratamento isolado na expectativa de reduzir a perda de urina ou curar a incontinência urinária.