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Foram selecionadas 25 mulheres com IUE, atendidas no Setor de Uroginecologia da Clínica Ginecológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital Perola Byington. A idade variou de 28 a 40 anos e a média etárea foi de 34,72 anos. Vinte mulheres eram multíparas com pelo menos dois partos normais, três referiam um parto normal, uma havia sido submetida a dois partos cesárea e uma era nulípara . A média da paridade foi de 2,32 partos. Todas as pacientes eram brancas com peso variando de 47a 90kg, com uma média de 66,28kg .
O diagnóstico da IUE baseou-se na história clínica, no exame uroginecológico e na avaliação urodinâmica. Através do exame uroginecológico, avaliou-se o grau de procidência da parede vaginal anterior e posterior, segundo a classificação proposta por BADEN
7. Constatou-se que 17 pacientes apresentavam procidência da parede vaginal anterior grau II e oito grau I. Procidência da parede vaginal posterior grau II foi constatada em oito pacientes e grau I em sete.
Não foram incluídas pacientes com : tratamento cirúrgico prévio ou clínico para IUE nos 6 meses anteriores ao início deste estudo, usuárias de drogas que atuam no trato urinário inferior, gestantes, diabetes melito ou doença pulmonar obstrutiva crônica, com procidência de parede vaginal anterior ou posterior grau III e IV
7 e/ou prolapso uterino, com afecção cérvico-uterina, vaginal e/ou vulvar , infecção do trato urinário, hiperatividade do detrusor e tumores pélvicos.
Todas as pacientes assinaram consentimento pós-informado.
Os cones são dispositivos de forma e volume iguais, compostos de aço inoxidável, revestidos com plástico e contendo um fio de nylon no ápice para facilitar sua remoção. Empregou-se conjunto de 5 cones, numerados de  1 a 5, com pesos de 20,0g; 32,5g; 45,0g; 57,5g e 70g, respectivamente (Figura 1).

 

 

 

 Figura 1 – Cones vaginais

O tratamento foi realizado em duas fases : passiva e ativa. Na fase passiva, em posição ortostática, a paciente introduzia o cone de maior peso que resultasse em uma sensação de perda do dispositivo, sem que ocorresse a sua exteriorização, na ausência de contração voluntária do assoalho pélvico. O ápice do cone deveria estar voltado para baixo, em direção ao assoalho pélvico. Para identificação deste cone, ela introduzia o dispositivo de número 1. Caso não houvesse sensação de perda do mesmo, passava-se para o de número 2, e assim sucessivamente. A seguir, orientava-se a paciente a deambular, solicitando que não contraísse a musculatura do assoalho pélvico por um período de um minuto, referindo a sensação de perda do dispositivo. Assim identificava-se o cone passivo inicial.
A paciente deveria permanecer com este cone na vagina deambulando por 15 minutos, duas vezes ao dia, sem contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico. A partir do momento em que não apresentasse mais a sensação de perda, passava-se para o cone de peso subseqüente. Este procedimento foi mantido por 3 meses.
A fase ativa iniciava-se com o cone de maior peso que a paciente era capaz de reter na vagina por um período de um minuto com contração voluntária dos músculos do assoalho pélvico, em posição ortostática. Para identificação deste dispositivo, denominado de cone ativo, a paciente iniciava introduzindo o dispositivo de peso imediatamente maior do que o utilizado no final da fase passiva. Caso fosse capaz de mantê-lo na vagina, passava-se para o de peso subseqüente e assim, sucessivamente. Quando um determinado cone se exteriorizava pela vagina, a paciente deveria iniciar esta fase com o anterior. Se a paciente terminasse a fase passiva com o cone número 5, deveria iniciar a ativa com este mesmo dispositivo.
Após a identificação do cone ativo, orientava-se a paciente a realizar 30 contrações voluntárias de cinco segundos alternadas com outros cinco segundos de relaxamento, duas vezes ao dia, também em posição ortostática. Quando era capaz de reter o cone com facilidade, passava-se ao de peso subseqüente. Caso não tivesse dificuldades de manter o cone número 5 na vagina antes do final desta fase, a paciente deveria terminar o tratamento com este mesmo cone. Da mesma forma que a fase passiva, esta foi realizada por um período de 3 meses.
Avaliação clínica que compreendeu a análise da queixa clínica e o "pad test" foi realizada antes e após cada fase descrita. A perda urinária foi avaliada subjetivamente através do relato da paciente quanto à melhora clínica, à sua satisfação com o tratamento realizado e a necessidade ou não de outra alternativa terapêutica. Seguindo-se esta avaliação, as pacientes foram divididas em grupos obedecendo-se o seguinte critério: a) inalterada ou agravada; b) melhorada, porém, insatisfeita com o tratamento, solicitando outra alternativa terapêutica; c) melhorada, satisfeita com o tratamento, não solicitando outra alternativa terapêutica; d) curada.
A satisfação com o tratamento realizado e a necessidade ou não de outra alternativa terapêutica foram considerados somente no final do tratamento.
A severidade da perda de urina foi avaliada através do "pad test" de uma hora, com volume vesical de 50% da capacidade cistométrica máxima e com exercícios previiamente determinado conforme a "International Continence Society"