As informações obtidas pela história clínica apresentam um valor preditivo positivo de aproximadamente 70% nas pacientes com incontinência urinária de esforço, não sendo possível esta avaliação naquelas pacientes portadoras de incontinência urinária de urgência, reforçando, nestes casos, a necessidade da realização de exames complementares16,3. A história clínica, portanto, não é confiável para se chegar a um diagnóstico preciso. Isto se deve principalmente ao fato de que os sintomas do trato urinário usualmente sobrepõem-se e são inespecíficos.
Em nosso estudo notamos que, quando relacionamos o número de ocorrência de perda urinária, as mulheres que apresentam incontinência de urgência, além de apresentarem o início dos sintomas de perda urinária mais precoce em relação às portadores de incontinência de esforço, apresentam ainda um número maior de ocorrência de perdas urinária, necessitando realizar um número maior de trocas íntimas e/ou de absorventes higiênicos.
O número de micções diárias não foi estatisticamente significante entre as mulheres com IUE e com IUU, o que demonstra que o número de micções não pode ser utilizado para se diferenciar esses subgrupos. Apesar deste fato notamos que houve diferença significativa com relação a ingesta líquida entre os grupos, onde as que sofrem de IUU têm menor ingesta líquida comparados ao grupo com IUE, provavelmente na tentativa de evitar um maior número de episódio de perdas urinárias.
No estudo da noctúria notamos que houve diferença significativa, sendo que as mulheres que apresentam incontinência de urgência referem maior número de ocorrência de noctúria do que aquelas com incontinência por esforço.
Na avaliação do tempo de aviso, houve diferença significativa, observando-se que as mulheres com IUE conseguem retardar a micção por mais tempo do que aquelas com IUU.
Alguns autores utilizando a escala visual análoga notaram que as atividades da vida diária e sociais, a auto estima e o bem estar mental eram afetados pela incontinência urinária10,12. As mulheres com incontinência de urgência parecem ter uma pior percepção dos seus sintomas do que nas com incontinência de esforço, isto pode ser causado pelos sintomas de urgência, noctúria e também por que estas mulheres não são capazes de predizer a sua ocorrência de perdas urinárias10,9,8. Isto sugere que o impacto psicossocial não é diretamente proporcional ao grau ou a severidade da incontinência, porém é maior nas mulheres com urge incontinência.
Nosso estudo está de acordo com estes dados, pois com relação à escala visual análoga da percepção de sensação de umidade, 31,8% das mulheres que sofrem de incontinência de esforço referem estar constantemente molhadas contra 62% das pacientes com incontinência de urgência. Com relação à sensação de desconforto durante as atividades sociais e nos afazeres diários, 50% das pacientes que sofrem de incontinência de esforço e 75,8% das com incontinência de urgência referem sentir-se muito incomodadas nas relações sociais e nas atividades diárias. Estes resultados enfatizam o fato de que o impacto psicossocial é uma consideração importante a ser analisada na avaliação da incontinência urinária.
Quando realizamos a avaliação objetiva da perda urinária pelo teste do absorvente notamos que as mulheres que sofrem de incontinência urinária de urgência apresentam uma maior perda de urina comparada à daquelas com incontinência urinária de esforço. Este fato pode ser explicado pois as mulheres com incontinência urinária de urgência perdem uma maior quantidade de urina durante os episódios ou ainda apresenta um número maior de circunstâncias precipitantes da perda urinária.
Nosso estudo permitiu-nos concluir que a avaliação clínica subjetiva de perdas urinárias pode fornecer informações importantes para o diagnóstico clínico diferencial do tipo de incontinência urinária, pois existe uma correlação positiva entre a avaliação subjetiva e objetiva das perdas urinárias onde as mulheres que sofrem de IUU apresentam uma pior percepção dos seus sintomas do que as com IUE e apresentam ainda maior perda urinária objetivamente demonstrável pelo teste do absorvente.