A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, objetivamente demonstrável, causando um problema social ou higiênico 1.
A incontinência urinária pode ser classificada em incontinência de esforço, de urgência ou mista. A incontinência urinária de esforço (IUE) é definida como a perda involuntária de urina que ocorre na ausência de contração do músculo detrusor da bexiga e, quando a pressão intravesical excede a pressão uretral máxima1.
A incontinência urinária decorrente da urgência (IUU) é caracterizada pela perda involuntária de urina após um desejo imperioso de urinar, devido a contrações involuntárias do detrusor. Em condições normais estas contrações não deveriam ocorrer ou a mulher deveria ser capaz de suprimi-la durante alguns minutos2.
Na incontinência urinária mista (25 a 30% dos casos) ocorre a associação entre incontinência urinária de esforço e de urgência3. Nessa situação notam-se sintomas decorrentes da hiperatividade vesical associada à perda de urina devida ao aumento da pressão intra-abdominal, podendo ocorrer predomínio de um ou outro sintoma.
As disfunções intestinais freqüentemente afetam a continência urinária e tendem a agravar os distúrbios do assoalho pélvico 4,5.
A intensidade dos sintomas deveria proporcionar uma visão da impotância da perda urinária e seus efeitos na qualidade de vida. Entretanto, as avaliação subjetiva das perdas urinárias, não demonstraram uma correlação precisa com a gravidade da incontinência urinária6.
Diferentes autores7,8,9,10,11 têm tentado avaliar o impacto psicossocial da incontinência urinária e sua correlação com avaliações objetivas da intensidade da perda urinária. Norton, em 1982, notou que a perda urinária afeta principalmente a atividade social, assim como o bem-estar mental12.
Diferentes testes têm sido utilizados a fim de se avaliar objetivamente a incontinência urinária13. No entanto, estes testes usam diferentes princípios de avaliação da perda urinária, e sua acurácia e reprodutibilidade têm sido discutidas. Para padronizar a avaliação da perda urinária, a "International Continence Society", em 1983, introduziu o teste do absorvente de 1 hora, que se baseia na medida da perda urinária de acordo com a variação inicial e final do peso do absorvente em condições preestabelecidas. Jorgensen et al. (1987) compararam o teste do absorvente de 1 hora com a história clínica, compararam-no ainda com outros métodos convencionais (teste de esforço e cistouretrografia miccional). Estes autores notaram que o teste do absorvente é simples e pode ser utilizado em muitas pacientes, mesmo em idosas. Podendo ser adaptado às condições físicas em pacientes com incapacidade motora ou pulmonar. Os resultados deste teste parecem obter uma avaliação confiável do grau de perda urinária14.
O objetivo deste estudo foi correlacionar a avaliação clínica subjetiva e objetiva no diagnóstico em mulheres com IUE em relação a mulheres com IUU.