Foram estudadas 51 mulheres incontinentes, no período de março de 1997 a dezembro de 1998 atendidas no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná. Foram distribuídas em 2 grupos, no grupo 1, mulheres com IUE (n=22) e no grupo 2, mulheres com IUU (n=29).
As pacientes foram admitidas, inicialmente, no ambulatório de Ginecologia Geral, onde foram utilizados critérios clínicos para o diagnóstico do tipo de incontinência urinária e, então encaminhadas ao ambulatório de Fisioterapia Ginecológica. As pacientes foram esclarecidas sobre os procedimentos a serem realizados e sobre os objetivos deste estudo. Nos casos em que estas pacientes concordassem em participar, foi necessária a assinatura do "Termo de Consentimento livre e Esclarecido" que foi aprovado pelo Comitê de Bioética do Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná .
Todas as pacientes foram submetidas à avaliação clínica que incluiu: dados pessoais, história clínica, obstétrica e ginecológica, antecedentes pessoais e familiares e avaliação subjetiva das perdas urinárias.
Na avaliação subjetiva das perdas urinárias foi observado o início das ocorrências de perdas urinárias (anos/meses), quais as circunstâncias de perdas,ou seja, em que situações ocorriam estas perdas (tosse, espirro, riso, subir escadas, evacuar e coito), assim como o tempo de aviso que avaliava quanto tempo a paciente consegue esperar até iniciar a micção, após sentir o desejo miccional.Foi ainda verificado as pacientes que perdiam urina utilizando-se manobras provocadoras como ouvir ruído ou mexer com água, assim como o número de ocorrências de perda e o número de troca de absorvente ou ainda de roupas íntimas durante as 24 horas.
Na avaliação dos hábitos urinários foi observado o número de micções diurna e noturna , bem como a quantidade de líquido ingerido.
Utilizamos a escala visual análoga da sensação de umidade (Tabela 1) e em relação ao desconforto da paciente, de maneira a avaliar o impacto psicossocial causado pelos episódios de perdas urinárias (Tabela 2).
Foi aplicado o teste do absorvente de 60 minutos: a paciente, após a colocação de um absorvente previamente pesado, em balança de graduação decimal, era orientada a ingerir 1 litro de água, após esvaziar a bexiga, aguardar em repouso durante 30 minutos e realizar as seguintes atividades:caminhar por 10 minutos;sentar e levantar por 10 vezes;deitar e levantar a partir do chão por 10 vezes;pegar pesos de 1 a 5Kg a partir do chão, traze-los ao peito e devolvê-los ao chão;tossir por 10 vezes e;lavar as mãos em água corrente por 1 minuto.
O resultado era dado entre a diferença de peso inicial e final do absorvente, conforme a classificação de Laycock & Green17 (Tabela 3).
As análises estatísticas das tabelas de dupla entrada, onde as linhas configuravam as distribuições multinomiais, as colunas configuravam suas classes. Foram realizadas essas análises através do teste de Goodman para contrastes entre e dentro de proporções multinomiais15.Para a comparação dos grupos de incontinência urinária nas variáveis nictúria, tempo de aviso e ingesta líquida, foi utilizado o teste T de student para amostras independentes15.Com relação às variáveis, número de micções e número de perdas por dia, utilizou-se o teste não paramétrico de Mann-Withney15 .