Este estudo demonstrou que a qualidade de vida da paciente com incontinência urinária relaciona-se às queixas das pacientes e não ao diagnóstico urodinâmico. Outros autores também tiveram o mesmo achado que não deixa de ser óbvio na medida em que a urodinâmica não se presta a medir intensidade do problema.
Sabemos também que há a necessidade de validar questionários na língua portuguesa. Este trabalho faz parte de uma linha de estudos para validação de um questionário na língua portuguesa já que a linguagem importa e muda a resposta das pacientes.
Com relação às queixas das pacientes, percebeu-se que a queixa de incontinência urinária ao esforço correlaciona-se com uma melhor qualidade de vida. As pacientes com queixa de urgência, ou seja, queixas irritativas apresentam pior qualidade de vida ao serem comparadas com as pacientes com incontinência urinária aos esforços e as pacientes com queixas mistas tiveram os piores escores de qualidade de vida.
Na análise da qualidade de vida de pacientes não se pode utilizar um ponto de corte a partir do qual se estabeleça uma boa qualidade de vida. Então, é importante salientar que este estudo não estabelece este ponto de corte, ele apenas relaciona a queixa da paciente com o impacto desta na qualidade de vida da paciente.
O principal problema metodológico com os estudos que utilizam a qualidade de vida das pacientes é a falta de um grupo controle, pois neste grupo o escore seria de 100.
Com tudo isto, percebe-se que além de ser útil na abordagem da mulher incontinente, o questionário de qualidade de vida tem sido utilizado e até mesmo padronizado para a avaliação de eficácia do tratamento da incontinência urinária.