A incontinência urinária (IU) é a perda involuntária de urina acarretando um problema social e higiênico para as pacientes. Recentemente, o comitê de padronização da ICS retirou o último trecho desta frase por considerá-lo inadequado para definir o sintoma. Assim segundo a nova padronização (2002) a incontinência urinária foi definida como qualquer perda involuntária de urina. Na literatura define-se a qualidade de vida de uma paciente como a sua satisfação no âmbito social, psicológico e físico1,2. O comitê da ICS considera que deve-se definir a qualidade de vida como um assunto separado e não dentro da definição da IU.
A prevalência da incontinência urinária na população em geral dos EUA é de aproximadamente 6%, sendo que esta taxa varia de acordo com a idade e o sexo. Na faixa etária entre 15 a 64 anos, a incontinência urinária ocorre em 1,5 a 5% nos homens e 10 a 25% nas mulheres. É estimado que os custos diretos da incontinência urinária são de aproximadamente 10 bilhões de dólares por ano. Esta estimativa foi baseada na prevalência de 9% para idosos ( pessoas com mais de 65 anos de idade ), 2% para mulheres com idade entre 25 a 64 anos e 50% para os idosos institucionalizados. Além disso, a incontinência urinária é a principal razão para a institucionalização de pessoas idosas nos EUA 1,3,4.
A partir desses dados, associado ao fato da incontinência urinária não ser causa de mortalidade e sim de morbidade, percebeu-se a importância de uma avaliação da qualidade de vida das pacientes com incontinência urinária.5 Além disso, na prática clínica sabemos que a propedêutica, apesar de ser muito adequada para o diagnóstico etiológico da IU, se presta pouco para a avaliação de intensidade e não nos dá a dimensão do problema na vida de cada paciente. Desta forma, a visão de qualidade de vida e os questionários propostos na tentativa de medi-la objetivamente são de grande importância no dia-a-dia dos profissionais ligados a uroginecologia.
A literatura sugere que a incontinência urinária é angustiante e incapacitante, sendo este impacto dependente da idade da paciente e do tipo de incontinência urinária 1,2.
Com relação à idade, nota-se uma melhor adequação e adaptação à incontinência urinária nas pessoas idosas. Já em relação ao tipo de incontinência urinária, Lenderking e cols. relatam que as pacientes com queixas de urge incontinência têm um maior impacto na qualidade de vida que as pacientes com queixas de incontinência urinária aos esforços, e que a incontinência urinária afeta mais a função social e psicológica que a função física da paciente1.
Nosso objetivo foi avaliar o impacto na qualidade de vida das pacientes com queixa de incontinência urinária através de um questionário já validado na língua inglesa e traduzido para língua portuguesa.