RESUMO
OBJETIVO: Testar
se exercícios antenatais supervisionados do assoalho pélvico reduzirão a incidência de
incontinência de esforço pós parto em primigrávidas de risco com mobilidade do colo
vesical, comprovada por ultra-som.
DESENHO: Ensaio controlado randomizado, cego.
MONTAGEM: Clínica pré-natal no UK NHS Trust Hospital.
AMOSTRA: Duzentas e sessenta e oito primigrávidas atendidas na clínica pré-natal
com aproximadamente 20 semanas de gestação com mobilidade do colo vesical, durante
manobra de valsalva padronizada, de 5 mm ou mais de movimento linear. A idade média foi
de 28 anos, variando de 16 a 47 anos. INTERVENÇÃO: As pacientes foram randomizadas para
exercícios pélvicos supervisionados (n =139) atendidas por um fisioterapeuta em
intervalos mensais da vigésima semana até o parto. Os exercícios compreenderam três
repetições de oito contrações cada seguradas por seis segundos, com dois minutos de
descanso entre as repetições. Estes foram repetidos 2 vezes diariamente. Com 34 semanas
de gestação o número de contrações por repetição foi aumentado para 12. Ambas o
grupo controle não tratado e o grupo de estudo receberam conselhos verbais sobre
exercícios do assoalho pélvico de seus parteiros no período pré-natal.
RESULTADOS
PRINCIPAIS OBTIDOS: Relato subjetivo de incontinência de esforço com três meses do
parto, força do assoalho pélvico, usando perineômetro, e mobilidade do colo vesical
medido pelo ultra-som perineal. Resultados: Das 268 mulheres arroladas, informação do
resultado da variável principal foi disponível para 110 no grupo controle e 120 no grupo
estudo. Menos mulheres no grupo com exercícios supervisionados do assoalho pélvico
relataram incontinência de esforço pós-parto, 19,2% comparado com 32,7% no grupo
controle (RR 0,59 [0,37-0,92]). Não houve mudanças na mobilidade do colo vesical nem
diferença na força do assoalho pélvico entre os grupos após os exercícios, embora
todas aquelas que desenvolveram incontinência urinária pós-parto tiveram escores
significantemente piores à perineometria em relação às continentes. CONCLUSÕES: Os
achados sugerem que exercícios supervisionados do assoalho pélvico são efetivos em
reduzir o risco de incontinência de esforço em primigrávidas com mobilidade do colo
vesical.
COMENTÁRIO EDITORIAL
O
parto está associado à lesão do assoalho pélvico com potencial para o desenvolvimento
de incontinência urinária aos esforços e prolapso. A possibilidade de prevenir estas
lesões, por meio do fortalecimento desta musculatura é alentadora. Neste trabalho
randomizado cego, as pacientes que não fizeram exercícios supervisionados apresentaram
índices de incontinência urinária menores que as que receberam apenas orientação
verbal (19,2% contra 32,7%). No que se refere ao fortalecimento da musculatura do assoalho
pélvico estes achados são similares às de outros autores que demonstraram ser
fundamental a supervisão para a correta realização dos exercícios e a aderência da
paciente ao tratamento proposto. É curioso
observar, entretanto, que não houve diferença significativa na força muscular medida
pela perineometria entre os grupos estudados. Apenas as pacientes com incontinência
urinária demonstraram força muscular significantemente diminuída. Cabe salientar que as
pacientes eram primigestas, foram reavaliadas após três meses do parto e a
incontinência foi classificada como leve em todas as pacientes que apresentavam perdas
urinárias. Em muitos casos ocorre regressão espontânea das queixas com alguns meses
adicionais de acompanhamento, porém estas pacientes formam grupo de risco para o
desenvolvimento de IUE em longo prazo.
Aparecido
Donizeti Agostinho |