As evidências de fístulas vesicovaginais são muito antigas. Arqueólogos encontraram múmias egípcias, de antes do ano de 2000 A.C. com fístulas vesicovaginais. Apenas aproximadamente 4000 anos após, em 1675, Johann Fatio descreveu o primeiro tratamento de uma fístula vesicovaginal (FVV) com sucesso.1
As causas de fístulas vesicovaginais podem ser adquiridas ou congênitas, sendo estas últimas raras (Tab.1). Historicamente, o trauma obstétrico foi classificado como a principal causa de fístulas vesicovaginais. Ainda hoje, na maioria dos países em desenvolvimento, o trauma obstétrico é prevalente, sendo responsável por 90% dos casos. Por outro lado, a assistência ao parto evoluiu consideravelmente nos países desenvolvidos e a histerectomia total abdominal por doenças benignas tornou-se a causa mais comum de fístulas vesicovaginais nestes países (70% dos casos). 2, 3, 4, 5
Existem ainda diferentes formas de abordagem cirúrgica das fístulas vesicovaginais, refletindo a falta de consenso entre os cirurgiões na definição da melhor forma de tratamento. A utilização de estudos randomizados para comparar a eficácia entre os diversos modos de tratamento das fístulas vesicovaginais é particularmente difícil, devido à variabilidade de etiologia, localização e experiência dos cirurgiões. 6
Este artigo tem como objetivos revisar as mais recentes publicações sobre fístulas vesicovaginais, discutir as diversas formas de abordagem e tratamento desta enfermidade, além de ressaltar aspectos já consagrados sobre a mesma.